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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1470

“Daniel,” Gabriela parou a alguns passos atrás dele. “Já é tão tarde, não vai para casa? Preparei uma sopa para você, está aquecida no carro.”

Daniel continuou sem olhar para trás, o tom do homem não tinha a menor oscilação: “Algum problema?”

Duas palavras simples, educadas e distantes, que separaram bruscamente o pouco afeto que restava entre os dois como noivos.

Gabriela apertou levemente as pontas dos dedos, amassando o tecido do sobretudo, mas manteve o sorriso gentil no rosto: “Não é nada, só vi que você ainda não tinha voltado a essa hora e fiquei preocupada. O vento lá fora está forte, trouxe um casaco para você.”

Ela deu um passo à frente, tentando colocar o casaco sobre os ombros dele.

Daniel, no entanto, virou-se levemente de lado, desviando-se sem alarde.

“Não precisa.”

Sua voz continuava fria, sem qualquer calor.

A mão de Gabriela congelou no ar, numa mistura de constrangimento e humilhação, e a insegurança no fundo de seu coração foi ampliada infinitamente.

Ela forçou um sorriso, recolheu a mão e disse em voz baixa: “Então... então descanse cedo, não se canse demais. Eu vou indo.”

O homem não respondeu, sequer olhou para ela.

Gabriela ficou parada no lugar, em silêncio por alguns segundos, até que finalmente suspirou levemente, virou-se e saiu do escritório passo a passo.

A porta foi fechada suavemente, e o escritório mergulhou novamente num silêncio mortal.

Daniel fechou os olhos lentamente, os lábios finos pressionados numa linha severa.

Gabriela.

Noiva.

Que título ridículo.

Aquele noivado não passava de uma ferramenta para enganar os outros, para bloquear as outras mulheres e para esconder Renata melhor ao seu lado.

Ele nunca amou Gabriela, nem um pouco.

Seu coração, há muitos anos, já havia sido preenchido completamente por aquela menina de olhos sorridentes e cheios de luz.

Apenas o seu amor era paranoico demais, louco demais, destrutivo demais.

Ele a prendia ao seu lado, quebrava suas asas, apagava seus sonhos, não permitia que ela partisse, não permitia que ela se aproximasse de outros, mas também não queria dar a ela um status, não queria dizer que a amava.

Ali morava Renata.

Uma garota que ele amava até a medula, mas a quem também feria até a medula.

Renata arrastou o corpo cansado de volta para o prédio.

Ela se enrolou mais no casaco, subiu as escadas rapidamente, apertando a chave com a ponta dos dedos, com apenas um pensamento na mente: ir para casa.

Só ali ela poderia se livrar temporariamente da sensação sufocante que Daniel lhe trazia, só ali poderia respirar um pouco.

Ela tinha vinte e quatro anos este ano, a idade em que deveria estar cheia de ânimo, perseguindo sonhos.

Seu sonho de infância era ser médica.

Queria usar o jaleco branco, queria estar diante da mesa de cirurgia, queria salvar vidas, queria viver da maneira que gostava com sua própria capacidade.

Daniel era seu guarda-costas, dizia que poderia dar a vida por ela.

Mas ele nunca dizia que a amava.

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