A mulher ficou com os olhos vermelhos diante das palavras dela. As lágrimas giravam nas órbitas enquanto ela olhava, injustiçada, para Daniel.
Ninguém na sala ousava sequer respirar alto.
Todos sabiam que Renata parecia calma e racional, mas quando teimava, nem dez bois conseguiam puxá-la de volta.
E todos sabiam também o quanto Daniel costumava mimar Renata, a ponto de não haver limites.
Mas agora, as coisas haviam mudado e as pessoas também.
Daniel finalmente apagou o cigarro no cinzeiro, produzindo um som leve.
Ele se levantou, olhando para Renata de cima, com sua postura imponente e uma aura gelada.
Antigamente, quando ele a olhava, sempre havia um ponto de ternura em seu olhar. Mas, naquele momento, naqueles olhos, só restava uma frieza profunda e insondável.
"Não a envolva nos meus assuntos."
Ele abriu a boca, e a primeira frase foi para proteger a noiva ao seu lado.
O coração de Renata sentiu uma pontada aguda.
Doeu pouco, mas foi profundo.
Realmente, tudo estava diferente.
Antes que ela pudesse falar, Daniel continuou, com a voz dura e sem qualquer temperatura: "Médicos Sem Fronteiras. Você não vai."
"Por que eu não posso ir?"
Renata sustentou o olhar dele, sem ceder um centímetro. "Essa é a minha profissão, o meu ideal, a minha vida. Não tem nada a ver com você."
"A partir do dia em que você noivou, não existe mais nada entre nós."
Ela disse cada palavra cortando qualquer laço. "Daniel, agora você tem sua noiva, sua família, sua vida."
"Não se meta no meu caminho, você não tem esse direito."
"Eu não preciso que você interfira sob pretexto nenhum."
Foi como se tivessem derramado um balde de água gelada sobre sua cabeça; todo o sangue de seu corpo congelou.
Toda a sua agressividade, toda a sua teimosia, toda a sua dureza desmoronaram ruidosamente naquele instante.
Ela olhou para Daniel, incrédula, os olhos se arregalando aos poucos: "...O que você disse?"
Daniel observou o rosto dela perder a cor instantaneamente. No fundo de seus olhos passou um traço muito sutil de pena, mas logo foi coberto pela frieza novamente.
Ele repetiu, com a voz firme e sem margem para dúvidas: "Seu pai me procurou pessoalmente. Pediu para eu te vigiar e disse que, não importa o método, eu não devo deixar você ir."
"Ele disse que, se você insistir em partir, ele não a considerará mais como filha."
Renata ficou parada, o corpo gelado, as pontas dos dedos tremendo incontrolavelmente.
Ela sempre achou que era Daniel agindo por conta própria, que era ele quem não superava, que era ele usando os dez anos de história para chantageá-la, usando sua nova identidade para interferir.
Ela brigou, gritou, exigiu explicações, quis justiça, quis despejar todas as mágoas de dez anos de uma só vez.
Mas, no final das contas, a muralha mais cruel bloqueando seu caminho não era Daniel, não era a noiva dele, nem os olhares da sociedade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...