Aqueles olhos que, no passado, sempre a seguiam inconscientemente, agora eram profundos como um abismo, tornando impossível decifrar qualquer emoção.
Ao lado dele, havia uma mulher sentada.
Cabelos longos e delicados, maquiagem suave, vestindo um vestido claro; ela estava encostada silenciosamente ao lado dele, com uma aparência dócil e comportada.
Renata a reconheceu.
A noiva de Daniel. Diziam que fora um arranjo familiar; conheciam-se há poucos meses, mas a notícia do noivado já havia se espalhado por todo o círculo social.
Ao verem Renata aparecer de repente, todos na sala ficaram atônitos.
Alguns trocaram olhares furtivos, outros se calaram instintivamente.
Todos sabiam qual era a relação entre Renata e Daniel —
Não eram parentes, mas eram mais do que isso. Dez anos de idas e vindas, enfrentando juntos a vida e a morte.
Agora que Daniel estava noivo e Renata invadia tal ocasião, a atmosfera instantaneamente se tornou sutil e tensa.
Daniel a viu. Suas sobrancelhas se franziram quase imperceptivelmente e um traço de surpresa passou pelo fundo de seus olhos, mas logo ele recuperou aquela postura fria e distante. Não disse nada, apenas a observou em silêncio.
Renata ignorou os olhares de todos na sala, caminhou diretamente até ele e parou.
Ela ergueu os olhos, fixando o olhar diretamente no rosto dele. Sua voz saiu clara, calma, mas carregada de uma frieza incontível.
"Daniel", ela começou, pausadamente. "Você me deve uma satisfação."
O silêncio na sala era absoluto.
Todos perceberam que ela não viera para brincadeira.
Daniel segurava um cigarro entre os dedos. Não se moveu. Sua voz era grave, sem denunciar emoção: "O que você faz aqui?"
"Se eu não viesse", Renata soltou uma risada curta, mas o sorriso não chegou aos seus olhos; pelo contrário, transparecia ironia. "Como eu saberia que você estava tão 'preocupado' comigo pelas minhas costas?"
Ela riu de repente. A risada não foi alta, mas carregava um frio que penetrava nos ossos.
"Você pediu para ele não me deixar ir?"
Renata a encarou. Seu olhar era calmo, mas tão afiado que a outra não ousou sustentá-lo. "Quem é você?"
O rosto da mulher empalideceu. Seus lábios tremeram levemente, e ela não ousou responder.
"Nós nos conhecemos?" O tom de Renata era plano. "Você apareceu ao lado dele há poucos meses. O noivado não passa de uma ordem da família. Com que direito você decide por mim? Com que direito quer controlar o caminho que eu vou seguir?"
Ela fez uma pausa, varreu a mulher com o olhar e, finalmente, voltou a fixar Daniel, pronunciando cada palavra com clareza:
"Você acha que um noivado de alguns meses se compara aos dez anos de história que eu tenho com ele?"
"Dez anos", Renata repetiu, com a voz levemente rouca. "Ele já levou uma facada por mim, eu já salvei a vida dele. Nós corremos juntos pelas ruas na madrugada, caminhamos juntos à beira da morte."
"Não é a sua 'preocupação' que vai lhe dar o direito de se intrometer e ditar regras aqui."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...