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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1457

— Vou subir para dar uma olhada. — Ele falou com naturalidade, como se fosse apenas dar uma volta ali perto. — Já que ele esteve aqui, com certeza deixou algum rastro.

— Não! — A voz de Sófia subiu alguns tons. — Gregório, olha como está o tempo! Tempestade, o caminho da montanha é escorregadio, a visibilidade é péssima. Você subir sozinho é perigoso demais!

— Eu sei o que estou fazendo.

— Sabe o que está fazendo? — Sófia estava tão desesperada que seus olhos avermelharam. — Seus ferimentos ainda não sararam. A Renata disse que você não pode se cansar, não pode sofrer estímulos, não pode correr na chuva, você esqueceu? Saímos hoje para espairecer, não para perseguir ninguém!

Ela estendeu a mão, segurando com força o pulso dele, recusando-se a soltar: — A chuva está muito forte. Mesmo que tenha algo, espere a chuva parar, espere a polícia chegar. Voltamos da próxima vez, está bem? Vamos considerar isso um passeio normal, não vamos pensar em nada, vamos voltar.

Ela estava quase implorando.

Ela não tinha medo de Vicente fugir de novo, o que ela temia era...

Que aquele homem à sua frente, que tinha acabado de melhorar um pouco, mergulhasse de cabeça na obsessão novamente e se levasse ao colapso.

Gregório olhou para ela, com um olhar complexo.

Havia culpa, havia dor, mas o que mais havia era uma obsessão que não podia ser reprimida.

— Sófia — a voz dele suavizou, mas continuava teimosa —, é uma oportunidade.

— Eu não me importo se é uma oportunidade!

A voz de Sófia tremia levemente. — Eu só sei que você não pode ir agora. Seu corpo não permite, o tempo não permite!

— Gregório, nem que seja por mim, pela Clara, pelo Enzo, não seja tão impulsivo, pode ser?

Ao lado, Clara se assustou com as emoções dos adultos e começou a chorar baixinho: — Mamãe... eu estou com medo...

Enzo também abaixou a cabeça, as mãozinhas apertadas, sem saber o que fazer.

O olhar de Gregório passou pelas duas crianças assustadas e voltou para os olhos avermelhados de Sófia.

Seu pomo de adão moveu-se.

Ele queria dizer: eu estou bem, eu consigo, eu preciso ir.

Mas com as palavras na ponta da língua, vendo a preocupação e o desespero nos olhos dela, ele não conseguiu falar.

Sófia, vendo que ele não falava e apenas a olhava em silêncio, sentiu o coração azedo e dolorido.

Ela o conhecia bem demais.

Se ele subisse um passo, estaria se empurrando de volta para o abismo.

Se ele ficasse, estaria desistindo daquela que poderia ser a única oportunidade.

Sófia continuava parada ali, quieta, sem olhar para ele, sem falar, como uma silhueta muda molhada pela chuva.

Ela estava esperando a escolha dele.

Os dedos de Gregório se fecharam pouco a pouco.

As unhas cravaram fundo na palma da mão. Doía, mas não se comparava ao conflito em seu coração.

Ele olhou para as pontas dos cabelos molhados dela, para o rosto pálido, para o cansaço e o medo indisfarçáveis no fundo de seus olhos.

De repente, ele se lembrou da noite anterior, dela à beira da cama, acariciando levemente sua testa e dizendo baixinho:

— Eu não quero que você seja invencível, eu só quero você seguro, leve e feliz.

— A família toda unida, com tranquilidade, já é o suficiente.

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