Que continuasse assim, apenas assim, estava bom.
Ela não pedia que ele se curasse imediatamente, não pedia que ele largasse todo o ódio na hora, só pedia que ele pudesse relaxar assim ocasionalmente, que pudesse sentir um pouco de leveza sem precisar se forçar.
Mas o tempo é imprevisível.
O céu, que antes tinha apenas uma névoa fina, escureceu de repente.
O vento ficou forte num instante, as folhas das árvores balançavam freneticamente, e ao longe ouvia-se o som abafado de trovões.
Sófia olhou para cima e sua expressão mudou: — Vai chover. Vamos voltar um pouco, procurar um lugar para nos abrigar.
Gregório também olhou para cima, franzindo a testa.
Ele ia abrir a boca para mandar todos recuarem, quando gotas enormes de chuva caíram de repente.
Crip, crap, batendo nas folhas, nos degraus de pedra, na superfície dos guarda-chuvas, com um som rápido e pesado.
Em menos de dez segundos, a chuva aumentou violentamente, passando de gotas esparsas para um temporal torrencial.
A visão foi instantaneamente borrada pela chuva, o vento envolvia a água e a jogava contra as pessoas, e a temperatura despencou.
— Rápido, protejam-se da chuva! — Gregório tirou imediatamente o casaco e cobriu as cabeças de Clara e Enzo, protegendo um com cada braço, espremendo-se sob uma parede de rocha ao lado que oferecia um pouco de abrigo.
Sófia também abriu rapidamente o guarda-chuva que trazia, mas o vento e a chuva eram fortes demais, o guarda-chuva quase virou e não protegia quase nada.
Em um minuto, os quatro estavam com boa parte do corpo molhada.
Sófia tremia levemente de frio, mas estava mais preocupada com as crianças e com Gregório.
Os ferimentos dele ainda não tinham cicatrizado totalmente, e sua depressão não suportaria tal tormento. Se ele pegasse friagem ou tivesse as emoções estimuladas novamente, as consequências seriam inimagináveis.
Clara, assustada, encolheu-se nos braços de Sófia. Enzo também apertava os lábios com força, o rostinho pálido.
Em meio ao som caótico da chuva, Enzo disse de repente, muito baixinho, mas com uma clareza anormal:
— ...O Vicente já me trouxe aqui.
Assim que essa frase saiu.
O tempo pareceu congelar por um segundo.
O som do vento e da chuva ainda rugia nos ouvidos, mas o coração de Sófia afundou bruscamente.
Enzo se esforçou para lembrar, franzindo as sobrancelhas, e apontou para o fundo da montanha, em meio à névoa da chuva: — Acho que... indo por ali, tem uma casinha.
Foi apenas esse gesto.
Gregório levantou-se bruscamente.
A chuva batia em seu rosto, em seu cabelo, escorrendo pelo queixo, mas ele parecia não perceber. Em seus olhos, restavam apenas a obsessão e a ansiedade reacendidas.
Ele procurou por tanto tempo, perseguiu por tão longe, do país ao exterior, da Cidade Floresta de volta à Cidade Lantom, e Vicente parecia ter evaporado.
Agora, a pista apareceu de repente diante de seus olhos.
Era impossível ele não agir.
Gregório virou a cabeça, olhou para Sófia, e o tom de voz já havia recuperado aquela frieza inquestionável:
— Você leva a Clara e o Enzo, voltem para o carro e esperem. tranquem as portas e não saiam de lá.
O coração de Sófia disparou: — O que você vai fazer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...