Na manhã seguinte.
A neblina da manhã ainda não havia se dissipado totalmente quando Sófia acordou cedo.
As montanhas ao longe pareciam imersas em um véu fino, e o ar estava cheio do cheiro fresco de grama e terra.
Sófia arrumou tudo, enchendo o porta-malas com lanches, frutas, cobertores, uma caixa de primeiros socorros,
e também capas de chuva e galochas preparadas para as duas crianças.
O céu estava nublado, prestes a chover.
Clara vestia uma capa de chuva amarelo-ganso.
Ela girava animada no pátio, enquanto Enzo ficava quieto ao lado, segurando a pequena mochila nova que Sófia comprara para ele na noite anterior.
Gregório vestia hoje um conjunto simples de roupa esportiva cinza-claro, sem a rigidez habitual dos ternos, parecendo muito mais suave.
Apenas aquele leve traço de melancolia entre as sobrancelhas continuava ali, como uma névoa que não se dissipava.
Sófia notou, mas não disse nada. Apenas caminhou até ele e ajeitou levemente o colarinho de sua roupa: — Hoje não pense em nada, só brinque com as crianças, está bem?
Ele ergueu os olhos, o olhar pousou no rosto dela, e soltou um leve "hum".
O carro saiu suavemente da cidade, dirigindo em direção às montanhas nos arredores.
No caminho, as duas crianças no banco de trás conversavam animadamente.
Clara dividia seus lanches com Enzo, e Enzo passava seus livros ilustrados favoritos para a irmã.
A criança, originalmente quieta e introvertida, foi relaxando aos poucos com o entusiasmo da irmã, ocasionalmente soltando um sorriso tímido.
Sófia observava a cena pelo retrovisor, com o coração derretendo de ternura.
Ela virou a cabeça e olhou para o homem ao seu lado.
A luz do sol entrava pela janela e iluminava o perfil dele, de traços definidos e nariz reto, mas a sombra escura sob os olhos revelava o fato de que ele não tinha dormido realmente bem naqueles dias.
Ontem, ao voltarem de Renata, ela quase não dormiu profundamente a noite toda. Ora tocava a testa dele, ora ouvia sua respiração, com medo de que ele tivesse pesadelos no meio da noite ou afundasse em emoções das quais não conseguisse sair.
A palma da mão dele era larga, quente, com calos finos.
O coração de Sófia tremeu levemente, e ela segurou a mão dele de volta.
Fazia muito tempo que não caminhavam assim, tranquilos, em família, sem trabalho, sem disputas, sem perseguições, sem feridas.
As árvores verdes faziam sombra nos dois lados dos degraus de pedra, e o vento soprava, fazendo as folhas farfalharem.
Ocasionalmente ouvia-se o canto dos pássaros, o som do riacho. As duas crianças iam na frente, virando-se de vez em quando para gritar: — Papai, mamãe, venham rápido!
Sófia respondia sorrindo: — Devagar, cuidado para não cair.
O olhar de Gregório permanecia nas duas crianças, e a linha tensa de seu maxilar suavizava pouco a pouco.
Ele até, raramente, abriu a boca para ensinar as crianças a identificar as plantas na beira da estrada, dizendo qual era o morango silvestre, qual era o pequeno pinheiro.
Sófia caminhava ao lado dele, observando em silêncio, com apenas um pensamento no coração:

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...