O coração de Sófia Lopes apertou.
Todos os nervos de seu corpo ficaram tensos.
Desde que falaram em divórcio, exceto por aqueles acidentes, eles nunca mais tiveram qualquer intimidade.
Neste momento, havia um nervosismo quase absurdo no ar.
— Não precisa — disse ela.
Gregório Pacheco soltou um suspiro de alívio, mas sentiu uma pontada inexplicável de amargura.
Ele se encostou na parede fria, levou a mão à testa para massagear as têmporas, reprimindo momentaneamente a bagunça na sala e a dor em seu corpo, e suavizou a voz: — Acabei de sair do banho, o cabelo ainda está molhado.
Sófia respondeu com um murmúrio baixo. A ponta de seus dedos deslizou pela tela do celular, onde havia uma das poucas fotos dos dois juntos. Na imagem, ela exibia um sorriso radiante, enquanto ele mantinha aquele olhar frio e reservado.
Parecia que ele nunca expressava sentimentos.
Aquela era a imagem de anos atrás, antes de se separarem.
Ela acariciou levemente a tela e perguntou em voz baixa: — Como está a situação aí? Já descobriram o rastro de Vicente Oliveira?
O assunto mudou para o trabalho.
Gregório, ainda encostado na parede, respondeu com um tom mais grave: — Já descobrimos. Ele está escondido na Cidade Luxa, nos arredores da Cidade Floresta. É o antigo reduto dele, o terreno é complexo e a segurança é pesada. As pessoas lá dentro são leais a ele, não é fácil chegar perto.
— Fui dar uma olhada pessoalmente esta noite, quase fui descoberto pelos homens dele.
Ele deliberadamente minimizou a situação, omitindo o perigo de se infiltrar na Cidade Luxa e a luta de vida ou morte que acabara de ter com Vicente. Escolheu apenas detalhes irrelevantes para contar a Sófia, com medo de que ela se preocupasse.
Mas Sófia era perspicaz; o leve traço de exaustão na voz dele não escapou aos seus ouvidos.
Gregório ouvia em silêncio, respondendo ocasionalmente. Seus olhos transbordavam ternura, mas o coração doía de saudade daquela garotinha doce e da mulher que o esperava em casa.
Conversaram por um longo tempo. A noite avançava, já era madrugada na Cidade Floresta, e o amanhecer se aproximava no Brasil.
Com medo de atrapalhar o descanso dele, Sófia disse suavemente: — Vá descansar logo. Cuidado aí, e me mande notícias todos os dias para eu saber que está bem. Não importa o horário, estarei esperando.
— Está bem.
Gregório concordou, mas não desligou. No telefone, restava apenas o som suave da respiração de ambos. Separados por milhares de quilômetros, pareciam estar ao alcance um do outro.
Após um momento de silêncio, Gregório falou de repente: — Sófia, quando eu voltar em segurança, vamos nos casar de novo, tudo bem?
Essa frase estava sendo gestada em seu coração há muito tempo. Desde o momento em que decidiu vir para a Cidade Floresta, desde o momento em que lutou com Vicente, desde o momento em que ouviu a voz preocupada de Sófia, ele queria dizer isso pessoalmente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...