Vicente cessou seus passos e olhou para trás, encarando Gregório: "Gregório, grave bem isto: a Cidade Floresta não é o seu território. Se não partir agora, seu único destino será morrer aqui!"
"Vou lhe mostrar o que é um destino pior que a morte!"
Dito isso, Vicente virou-se e desapareceu rapidamente na escuridão da noite.
Gregório permaneceu junto à janela, fitando a direção em que Vicente desaparecera. Ele cerrava os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, e a intenção assassina em seus olhos parecia prestes a transbordar.
O sangue no canto de sua boca escorreu pelo queixo, gotejando sobre a roupa e deixando um rastro vermelho gritante, mas ele não percebeu absolutamente nada.
"Diretor Pacheco, o senhor está bem?" Manuel e Armando entraram apressadamente no quarto, e ao verem o sangue no canto da boca de Gregório, seus rostos se encheram de preocupação.
"Estou bem." Gregório limpou o sangue do canto dos lábios, sua voz era gélida, e o frio em seu olhar ainda não se dissipara.
"Mobilizem os homens imediatamente e vasculhem a cidade inteira atrás de Vicente. Revirem cada pedra se for preciso, mas encontrem-no!"
"Sim, Diretor Pacheco." Os dois responderam prontamente e se viraram para organizar as ordens.
O quarto estava um caos absoluto, com móveis revirados e o chão coberto de cacos de vidro e fragmentos de cerâmica. O ar estava impregnado com o cheiro denso de pólvora e sangue.
-
Gregório tratou de se recompor.
Ele se recostou no batente da porta do banheiro quando Sófia iniciou uma chamada de vídeo.
O hematoma no canto de sua boca ainda estava arroxeado, e as escoriações sob o colarinho latejavam, às pressas, ele puxou um roupão para cobrir o corpo.
A ponta de seus dedos deslizou pela tela, rejeitando o vídeo e aceitando apenas a chamada de voz. Ele forçou um tom grave, tentando disfarçar a respiração ainda irregular: "Por que ainda não foi dormir a essa hora?"
Do outro lado da linha, Sófia hesitou por um instante. Sua voz carregava uma sonolência suave: "Vi que já é tarde aí, então pensei em perguntar se tudo correu bem na sua chegada e se o local onde está hospedado é seguro."
Ela havia feito a chamada de vídeo casualmente antes de dormir, querendo vê-lo no exterior, mas ao ser transferida diretamente para voz, sentiu um aperto inexplicável no coração.
Embora tivessem se reaproximado após o reencontro, ainda havia uma barreira invisível entre eles, impedindo uma reconciliação verdadeira.
O distanciamento daqueles anos e os mal-entendidos nunca esclarecidos minaram a confiança íntima entre os dois. A ternura conjugal há muito não existia, e até mesmo uma frase íntima e casual como "estou no banho" soava agora como um estranhamento há muito esquecido.
Ele nunca mencionava detalhes de sua rotina privada tão casualmente diante dela, e muito menos usaria tal desculpa para recusar uma chamada de vídeo.
Aquele som deliberado de água corrente, aos ouvidos de Sófia, soou apenas como um disfarce para o pânico.
Seus dedos apertaram o celular levemente, e as palavras ficaram presas na garganta. Ela não ousou perguntar, apenas permaneceu em silêncio, suavizando até a própria respiração.
Gregório percebeu o silêncio dela.
"Sófia, você quer ver? Eu ligo a câmera para você."
Após suas palavras, restou no ar apenas o som sutil da água corrente e a respiração silenciosa de ambos, separados por montanhas e oceanos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...