Ele sabia que devia a ela um status, devia a ela um lar seguro.
Do outro lado da linha, Sófia congelou. Seus dedos apertaram o celular com tanta força que as articulações ficaram brancas.
Ela não esperava que ele dissesse isso tão de repente. Foi como se uma pedra tivesse sido atirada em seu coração, criando ondas de emoção: amargura, comoção, alegria. Tudo se misturou, fazendo seus olhos marejarem.
Nesses anos todos, não é que ela não tivesse esperado, não é que não tivesse ansiado por isso. Mas, devido às barreiras e aos mal-entendidos, ela nunca teve coragem de dar esse passo.
Mas agora, ouvindo ele dizer isso com a própria voz, todas as preocupações e inseguranças pareceram se dissipar como fumaça.
Ela ficou em silêncio por muito tempo. Tanto tempo que Gregório achou que ela recusaria; tanto tempo que o coração dele acelerou; tanto tempo que até a brisa do mar pareceu parar.
Finalmente, a voz de Sófia veio suave, com um leve embargo, mas incrivelmente firme: — Tudo bem.
Duas palavras que caíram como um bálsamo no coração de Gregório, fazendo com que a tensão que ele segurava finalmente se desfizesse.
Um sorriso de alívio surgiu em seus lábios, e um brilho de lágrimas passou por seus olhos. Sua voz soou tão gentil que parecia capaz de derreter gelo: — Combinado. Quando eu voltar, nós nos casamos de novo e nunca mais nos separaremos.
— Sim, nunca mais.
Sófia concordou e desligou o telefone. Recostou-se na cabeceira da cama, e as lágrimas finalmente rolaram, embora seus lábios mantivessem um sorriso terno.
No apartamento na Cidade Floresta, Gregório desligou o telefone e continuou encostado na parede, imóvel por um longo tempo.
Ele levantou a mão e tocou suavemente o amuleto que trazia no peito. Fora Sófia quem pedira proteção para ele, e agora, aquele objeto parecia carregar o calor dela, dando-lhe uma força infinita.
Mas, no segundo seguinte, a dor física veio com força total.
Os dois se entreolharam, compartilhando a mesma preocupação: — Diretor Pacheco, é melhor irmos ao hospital. A Cidade Floresta tem boas clínicas particulares, com sigilo garantido.
— Não precisa — recusou Gregório. — O momento é sensível, não podemos ir ao hospital. Se os homens de Vicente descobrirem, teremos problemas.
— Tragam apenas um pouco de antisséptico e gaze, um curativo simples resolve.
Eles não ousaram desobedecer; apenas assentiram e foram buscar a caixa de primeiros socorros.
Gregório recostou-se no sofá, olhando para a sala revirada. Em sua mente, passavam flashes da luta com Vicente e aquele firme "tudo bem" de Sófia.
Ele sentiu, com ainda mais força, que não podia cair ali.
Precisava se recuperar logo, encontrar Vicente, levá-lo à justiça e voltar o mais rápido possível para se casar novamente com Sófia e se reunir com Clara.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...