A boca de Enzo se abriu, mas nenhum som saiu.
Ele olhou para o selo no portão, para a desordem no pátio, e sentiu o mundo girar. Uma enorme sensação de desamparo o envolveu.
Ele não sabia para onde ir, a quem procurar.
Depois de um longo tempo, ele se lembrou de algo, puxou a barra da roupa da senhora e disse com uma voz tão baixa quanto um zumbido de mosquito: "Tia, eu... posso te pedir cem reais emprestados? Quero pegar um táxi."
Ele não sabia para onde ir, mas não queria mais andar.
Suas pernas estavam doendo, e seu coração também.
A senhora olhou para sua aparência lamentável, sentindo uma pontada de tristeza.
Ela suspirou, tirou quinhentos reais da carteira e os colocou na mão de Enzo: "Pegue, criança."
"Compre algo para comer e cuide-se bem."
Dizendo isso, ela pegou sua mala e se foi sem olhar para trás.
Enzo segurava os quinhentos reais, as notas ainda quentes pelo calor da mão da senhora.
Ele ficou parado em frente ao portão vazio, observando a figura da senhora se afastar gradualmente, e as lágrimas finalmente caíram.
Ele parou um táxi na rua e deu um endereço...
Mansão Antiga Pacheco.
Ele ouvira seu pai dizer que Gregório era seu tio.
Embora seu pai e seu tio não se dessem bem, agora, sem ter para onde ir, ele só podia recorrer a ele.
O táxi acelerou e logo chegou em frente à Mansão Antiga Pacheco.
A Mansão Antiga Pacheco era completamente diferente da Família Oliveira. Continuava imponente, com criados de uniforme na entrada, impecáveis.
Enzo desceu do carro, segurando os poucos reais que lhe restavam, e se aproximou do portão com cautela, dizendo em voz baixa: "Estou procurando o tio Gregório."
O criado na entrada o examinou de cima a baixo e o reconheceu como o menino da Família Oliveira.
Ele vestia roupas velhas e desbotadas, segurando notas amassadas, parado ali, solitário, como uma erva daninha atingida pela geada.
O antigo Sr. Oliveira, que costumava segui-la e chamá-la de "irmãzinha" com o rosto erguido, agora estava tão abatido.
Clara parou de repente, depois correu em sua direção e chamou com uma voz clara e animada: "Irmão Enzo!"
Enzo levantou a cabeça. Ao vê-la, seus olhos antes sem brilho se iluminaram por um instante, mas logo se apagaram novamente. Seus lábios se moveram, mas ele não disse nada.
O criado na entrada, vendo a cena, apressou-se para intervir: "Senhorita, este menino..."
"Deixe-o entrar!", Clara franziu a testa, sua voz com um tom de autoridade infantil. "Esta é a minha casa, eu o deixei entrar!"
O criado não ousou contrariar a pequena princesa da Família Pacheco e recuou, sem graça.
Clara pegou a mão fria de Enzo e o puxou para dentro do pátio.
Ao entrar na sala de estar, as decorações esculpidas e os móveis de mogno ainda brilhavam com um lustre suave, mas Enzo se sentia completamente desconfortável.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...