Ele segurava a barra de sua roupa, de pé em frente à mesa da professora, seu corpo pequeno tremendo levemente, a cabeça baixa, sem coragem de olhar para o rosto da professora, que estava cheio de impotência.
Este colégio particular de elite era o lugar onde Vicente o colocara durante seu auge.
Cada centímetro deste lugar exalava a sofisticação construída com dinheiro.
Mas agora, Vicente era um prisioneiro, a Família Oliveira se desfez, e ele, o antigo "Sr. Oliveira", tornou-se alguém que todos evitavam.
"Enzo, não é que a professora seja cruel."
A voz da professora era suave, mas parecia uma faca cega, cortando o coração de Enzo a cada golpe. "Você sabe que esta é uma escola particular, as mensalidades são altas, e além disso..."
A professora hesitou, mas finalmente disse as coisas de forma direta: "E além disso, não conseguimos contatar seus responsáveis."
"A escola tem suas regras, e realmente não podemos mais permitir que você fique."
Os olhos de Enzo ficaram vermelhos instantaneamente.
Ele mordeu o lábio inferior, esforçando-se para não chorar, suas pequenas mãos cerradas com tanta força que as unhas quase perfuravam as palmas.
Ele queria dizer que seu pai viria pagar as mensalidades, que seu pai não era uma pessoa má.
Mas as palavras se transformaram em um soluço preso na garganta.
Ele não tinha pai.
Ninguém era seu pai.
Ele sabia que Vicente havia sido preso e não viria mais buscá-lo.
A professora, vendo sua aparência, suspirou, tirou uma pequena mochila da gaveta e a entregou a ele: "Aqui estão suas coisas, já arrumei tudo."
"Vá para casa e, de agora em diante... cuide-se bem."
Enzo pegou a mochila. Era leve, tão leve que parecia não ter peso algum.
"Vou encontrar uma solução, me dê mais um dia, professora."
A professora respirou fundo. "Se não resolver até o fim desta semana, você terá que sair."
Enzo assentiu.
O suor encharcou suas costas, e gotas de suor escorriam pela testa e pelo rosto.
Quando finalmente chegou em frente à Mansão Antiga Oliveira, ele ficou paralisado.
O imponente portão de outrora estava fechado, com um selo oficial colado nele.
O pátio estava uma bagunça, vasos de flores quebrados por toda parte, plantas valiosas jogadas a esmo em um canto, sem a vitalidade de antes.
Uma empregada de avental saía apressadamente de dentro da casa, carregando uma mala abarrotada.
Era a antiga empregada da Família Oliveira, a senhora que vira Enzo crescer.
"Tia!", Enzo, como se visse uma tábua de salvação, correu em sua direção, a voz embargada pelo choro. "Eu não tenho mais casa?"
A senhora, ao vê-lo, parou por um momento, e seus olhos também ficaram vermelhos.
Ela largou a mala, agachou-se, afagou a cabeça de Enzo e disse com a voz embargada: "Enzo... a Família Oliveira acabou."
"Este lugar foi confiscado, não se pode mais morar aqui."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...