Antes, ele era um visitante frequente, correndo atrás de borboletas com Clara no pátio e brincando com blocos na sala de estar. Naquela época, ele também era o nobre e mimado Sr. Oliveira.
Mas agora, ele se sentia como um intruso, sem saber onde colocar as mãos e os pés.
Ele ficou parado no meio da sala, constrangido, com o olhar baixo, sem coragem de encarar a decoração familiar.
Clara percebeu seu desconforto, puxou-o para se sentar no sofá e lhe serviu um copo de água morna: "Irmão Enzo, não tenha medo. Papai e mamãe foram para a empresa. Quando voltarem, eles vão resolver tudo."
Dizendo isso, ela subiu as escadas correndo, entrou no escritório, pegou o telefone na mesa e discou rapidamente o número de Sófia.
Do outro lado da linha, a voz gentil de Sófia soou, e Clara disse em voz alta: "Mamãe! O irmão Enzo veio para nossa casa!"
"Ele está tão coitado, a escola não o deixa mais estudar e a casa da Família Oliveira foi confiscada..."
Sófia ouviu e, após um momento de silêncio, respondeu com voz séria: "Entendido, mamãe e papai já estão voltando."
Depois de desligar, Clara suspirou aliviada, desceu as escadas correndo e deu a Enzo um sorriso radiante: "Papai e mamãe já estão vindo!"
Enzo olhou para seu sorriso brilhante, sentindo uma onda de calor em seu coração, mas seus olhos não puderam deixar de ficar vermelhos.
Não muito tempo depois, o som do motor de um carro foi ouvido do lado de fora.
Gregório e Sófia entraram e seus olhares caíram sobre Enzo no sofá. A expressão de ambos era complexa.
Sófia se aproximou rapidamente, agachou-se e examinou Enzo de perto.
O menino havia emagrecido muito, seu queixo estava pontudo e seus grandes olhos estavam cheios de medo e desamparo.
Ao olhá-lo, ela sentiu um aperto no coração.
Afinal, era a criança que ela havia criado por cinco ou seis anos, desde um bebê aprendendo a falar até um menino animado e adorável. O tempo que passaram juntos não podia ser simplesmente esquecido.
Gregório ficou ao lado, observando Enzo com um olhar profundo, sem dizer nada.
A atmosfera na sala de estar ficou um pouco tensa.
Clara ficou ao lado, segurando a barra de sua roupa, olhando nervosamente para seus pais.
No entanto, seu olhar para Enzo era muito mais severo do que antes, sem a antiga indulgência.
Seu plano original era, ao encontrar Patricia, devolver a criança à sua mãe biológica.
Mas ele nunca imaginou que Patricia criaria seu próprio filho dessa maneira.
Ao ouvir as palavras de Sófia, a tensão que Enzo sentia finalmente se dissipou.
Ele não conseguiu mais se segurar e começou a chorar alto, soluçando: "Mamãe... eu errei..."
Ele não sabia onde havia errado, mas sentia que foi por sua desobediência que seus pais haviam se tornado o que eram agora.
O choro alertou Rita Costa, que estava no andar de cima.
Ela estava sentada no quarto, pensando em Nereu e Vicente, sentindo-se muito irritada.
Ao ouvir o choro vindo do andar de baixo, ela desceu com uma expressão carrancuda. Ao ver Enzo na sala de estar, seu rosto se fechou instantaneamente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...