Ele mesmo teve sua liberdade restringida, confinado a este pequeno espaço, aguardando a punição da lei.
"Não me conformo... eu não me conformo...", Damião atirou o jornal violentamente no chão, produzindo um som abafado.
Seus olhos estavam vermelhos, cheios de uma fúria e desespero avassaladores. Suas mãos se fecharam em punhos, as unhas cravando-se profundamente nas palmas, fazendo o sangue brotar.
Como ele poderia se conformar?
Ele estava a um passo do sucesso, mas no último momento, sofreu uma derrota esmagadora.
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Enquanto isso, em uma escola primária no centro da cidade, o sinal para o fim da aula acabara de tocar. As crianças, como um bando de passarinhos barulhentos, saíram das salas de aula e correram para o pátio.
Apenas uma pequena figura permanecia sentada, solitária, em um canto da sala, de cabeça baixa, os dedos mexendo distraidamente na barra de sua roupa.
Era Enzo.
Desde que a notícia da prisão de Vicente se espalhou, tudo na escola mudou.
Os amigos que antes brincavam com ele, agora o evitavam, sussurrando pelas suas costas. Aqueles comentários eram como agulhas, perfurando seu coração.
"O pai dele é um criminoso, um traidor!"
"Fique longe dele, talvez ele também seja um menino mau!"
"A professora disse que filhos de gente assim não podem ser boa coisa!"
Enzo ouviu cada uma daquelas palavras.
Ele apertou a barra da roupa, seus olhos avermelhados, mas se esforçou para não deixar as lágrimas caírem.
Queria retrucar, gritar que "o pai dele não é Vicente", mas ao abrir a boca, nenhum som saiu.
Mas...
Mas Gregório também não era seu pai.
Ele baixou o olhar, mordendo o lábio com força.
Sua pequena figura de costas não conseguia afastar o frio que sentia.
Ele não sabia o que tinha feito de errado, por que todos o tratavam daquela maneira.
Só sabia que o Sr. Vicente não voltava para casa há muito tempo, e a atmosfera em casa era sufocante.
Ele também não sabia que o conflito de rancores dos adultos já o havia envolvido, tornando-o a vítima mais inocente daquela guerra.
Enzo permaneceu agachado.
Sem saber para onde ir.
Nesse momento, a professora da turma chegou.
Ela pediu que ele fosse para a sala dos professores.
A professora o olhou com certa pena, mas ainda assim disse: "Com a sua família nessa situação, a escola não pode mais aceitar que você continue a estudar aqui."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...