Vitória Tavares entrou de salto alto, com uma postura elegante, vestindo um vestido branco bem cortado que realçava sua pele alva.
No entanto, seu rosto exibia um sorriso indefinível.
Ela caminhou até a beira da cama e olhou de cima para Gregório, que estava deitado, passando levemente a ponta dos dedos na grade de metal da cama: "Gregório, alguma vez você pensou que chegaria a este dia?"
As pálpebras de Gregório se abaixaram levemente, seus longos cílios projetando uma sombra sob seus olhos.
Ele não olhou para ela, nem respondeu, como se ela fosse apenas uma massa de ar insignificante.
Vitória não pareceu se importar com sua frieza. Ela puxou uma cadeira e sentou-se, inclinando-se ligeiramente para a frente, seu tom carregado de um ressentimento reprimido por anos: "Quando você me manipulou e planejou tudo, fingindo noivar comigo e usando o poder da nossa Família Tavares para abrir caminho, você pensou que um dia teria um fim como este?"
Sua voz se elevou de repente, com um tremor quase imperceptível: "Você já se arrependeu da decisão que tomou?"
"Você já sentiu, por mim, um pingo de afeição verdadeira?"
Essas perguntas, como um espinho, estavam cravadas em seu coração há muito tempo.
Desde a alegria do noivado, passando pela dor da descoberta da verdade, até agora, vendo-o em seu estado de desolação e miséria.
Emoções complexas se agitavam dentro dela: havia ódio, ressentimento e um toque de frustração que nem ela mesma queria admitir.
Gregório continuava com os olhos baixos, sua expressão assustadoramente calma, como se as acusações dela não tivessem nada a ver com ele.
Vitória, vendo sua indiferença, sentiu a raiva crescer dentro de si, mas logo a suprimiu.
Ela respirou fundo, seu tom suavizando um pouco, com um suspiro de autodepreciação: "Na verdade, eu sinto pena de você, e também te entendo."
"Entre os interesses da família e os sentimentos pessoais, muitas pessoas não têm escolha, e eu sou uma delas."
Ela fez uma pausa, seu olhar pousado no rosto pálido de Gregório: "Mas, entre a minha família e você, eu só podia escolher um."
Essa frase pareceu finalmente tocar Gregório.
Algumas coisas não valiam a pena serem ditas, a verdade já estava exposta.
Vitória, no entanto, parecia ainda se agarrar a um fio de esperança. Ela olhou nos olhos de Gregório, tentando encontrar neles um traço de afeto, mesmo que fingido.
"Gregório, me diga, você realmente nunca sentiu nada por mim? Eu não acredito."
"Eu sou tão excelente, família, aparência, habilidade, em que eu sou inferior aos outros? Como você poderia não gostar nem um pouco de mim?"
Mas Gregório apenas a observava em silêncio, a indiferença em seus olhos como um poço profundo de água gelada.
Apagando completamente a fraca esperança em seu coração.
Ela sabia, no final, que estava apenas se enganando.
Este homem, do início ao fim, nunca lhe dera um pingo de sinceridade.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...