Depois que os passos de Vicente desapareceram no final do corredor,
o quarto do hospital ficou em silêncio.
Gregório deitou-se na cama, o olhar fixo na luz branca do teto, a claridade ofuscante fazendo seus olhos arderem.
O ferimento em seu peito ainda doía vagamente, cada respiração puxando seus músculos e trazendo uma dor lancinante, mas essa dor era muito menor do que a ansiedade em seu coração.
Como Sófia estava?
A filha, Clara, estava segura?
Vicente faria algo contra elas?
Ele não podia ficar parado esperando, não podia deixar Vicente manipulá-lo.
Gregório levantou lentamente a mão, os dedos tremendo levemente de fraqueza.
Ele agarrou a agulha do soro em sua mão e, sem hesitar, a arrancou com força.
No instante em que a ponta da agulha deixou a veia, uma pontada de dor veio, seguida por um sangue quente que escorreu pelo furo, pingando no lençol branco e manchando-o com um pequeno e ofuscante ponto vermelho.
Ele se apoiou nos braços, tentando se sentar.
Mas seu corpo parecia pesado como chumbo. Mal se levantou um pouco e foi puxado de volta para a cama pela dor aguda no peito, ofegando pesadamente, com gotas de suor frio brotando em sua testa.
Ele rangeu os dentes, frustrado, e tentou novamente, apenas para ser recebido por uma dor ainda mais intensa e uma escuridão momentânea em sua visão.
Então, ele estava tão fraco que nem tinha forças para se levantar.
Nesse momento, a porta do quarto se abriu e duas enfermeiras entraram empurrando um carrinho de tratamento, seguidas pelo médico responsável.
Ao verem o sangue na mão de Gregório e a agulha do soro no chão, seus rostos mudaram.
"Sr. Pacheco, o que o senhor está fazendo?"
A enfermeira se apressou, pegou um algodão e pressionou o furo em sua mão. "Seus ferimentos são graves, o senhor precisa descansar bem, não pode se mover de jeito nenhum."
O médico também se aproximou, examinou cuidadosamente seu ferimento, franzindo a testa: "Sua condição física atual não permite qualquer atividade intensa."
Gregório deitou-se na cama, olhando para a luz no teto, seus olhos sombrios, uma torrente de emoções complexas agitando-se em suas profundezas.
Sófia estava bem...
Mas elas estavam aprisionadas por Vicente. Por quanto tempo esse suposto "bem" poderia durar?
Ele sabia que Vicente não os deixaria em paz facilmente.
Este jogo estava apenas começando.
E a única coisa que ele podia fazer agora era se recuperar o mais rápido possível, para ter a chance de proteger Sófia e sua filha.
-
Foi nesse momento.
A porta do quarto foi aberta suavemente, e a sua chegada trouxe um leve perfume ao ambiente.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...