Vitória olhou para o perfil pálido, mas ainda inflexível, de Gregório.
Sentimentos complexos agitavam-se em seu peito, mas ela finalmente rangeu os dentes e jogou sua cartada.
"Se você quiser, eu posso te tirar daqui."
Ela falou. "Basta você concordar, e você ainda será o genro da Família Tavares. Os dias futuros serão muito melhores do que ficar deitado aqui à mercê dos outros."
Ela acreditava que essa era uma condição suficiente para mover Gregório.
O poder da Família Tavares ainda era sólido. Contanto que ele voltasse para o seu lado, a ameaça de Vicente seria insignificante, e ele ainda poderia ter a glória e o status de antes.
Gregório ergueu lentamente os olhos. Suas pupilas escuras não mostravam nenhuma ondulação, apenas um desprezo gelado.
Ele olhou para a mulher teimosa à sua frente, seu tom carregado de um sarcasmo indisfarçável: "Sua vida se resume apenas a sentimentos?"
"Ser enganada uma vez não foi o suficiente, você quer pular de novo na mesma armadilha?"
Essas duas frases leves, como duas adagas mergulhadas em gelo, cravaram-se violentamente no coração de Vitória.
Seu rosto ficou instantaneamente pálido, os dedos apertando com força, as unhas cravando-se na palma da mão, trazendo uma dor fina e aguda.
"Gregório!"
Ela rangeu os dentes, sua voz carregada de uma raiva incontida. "Não me culpe por não ter consideração pelo passado, eu já te dei uma chance!"
Gregório soltou uma risada debochada, o escárnio em seus olhos ainda mais profundo.
Ele não disse mais nada, apenas fechou lentamente os olhos, sem vontade de continuar a discussão com ela.
Vitória, vendo sua atitude desdenhosa, sentiu a raiva e a mágoa se entrelaçarem dentro de si, quase a sufocando.
Ela respirou fundo, forçando-se a se acalmar. Ficar mais tempo ali seria apenas se humilhar.
Ela se levantou bruscamente e caminhou em direção à porta do quarto, seus passos um pouco vacilantes de raiva.
No momento em que abriu a porta, Vitória parou de repente.
Os lábios de Vitória se moveram, querendo refutar, mas ela descobriu que não conseguia dizer uma única palavra.
"No coração dele, sempre houve uma mulher."
A voz de Vicente fez uma pausa, e cada palavra entrou claramente nos ouvidos de Vitória: "Essa mulher se chama Sófia."
Boom—
Vitória sentiu sua mente ficar em branco, como se algo tivesse desmoronado completamente.
Sim, Sófia.
Desde o início, sempre foi Sófia.
Na época em que Gregório noivou com ela, ele sempre mostrava, sem querer, seu cuidado por Sófia.
E ela, Vitória, era apenas um degrau em seu caminho, uma transeunte insignificante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...