Seus olhos foram cobertos por um pano preto, e sua visão mergulhou instantaneamente na escuridão.
Ao seu redor, ouvia o uivo do vento, o rugido das hélices do helicóptero e os passos firmes dos guarda-costas.
Sua mente estava um caos, mas ela se forçou a manter a calma, tentando marcar a rota em sua cabeça com base no peso dos passos e na mudança da direção do vento.
No entanto, parecia que eles estavam deliberadamente fazendo desvios, indo ora para leste, ora para oeste. O caminho sob seus pés era ora plano, ora acidentado. Depois de um dia e uma noite inteiros de tormento, eles ainda não haviam chegado ao destino.
O coração de Sófia afundava cada vez mais. Ela sabia que Vicente estava fazendo isso de propósito, com medo de que ela memorizasse a rota e um dia pudesse trazer reforços.
O longo período de solavancos e fome levou o corpo de Sófia ao seu limite.
Ela se encostou na parede fria da cabine, sentindo-se fraca, mas ainda cerrando os dentes com firmeza.
Quando o pano preto foi retirado de seus olhos, ela se viu em um quarto escuro. Suas mãos e pés foram desamarrados, mas ela ainda não conseguia escapar daquela prisão invisível.
Vicente estava sentado no sofá em frente, ainda com um cigarro entre os dedos, olhando para ela com calma.
Sófia respirou fundo, suprimindo o ódio em seu coração, e falou com a voz rouca: "Vicente, solte-nos."
"Eu posso fingir que nada aconteceu, e também..."
Antes que pudesse terminar, Vicente a interrompeu.
Ele riu baixo: "Fingir que nada aconteceu? Sófia, você acha que isso é possível?"
Ele se levantou, caminhou até Sófia e se inclinou sobre ela, olhando-a com um tom zombeteiro: "Você deveria saber que você e Gregório, desde o início, não deveriam ter se metido nisso."
Sófia levantou a cabeça, encarando a frieza em seus olhos, e o desespero em seu coração se aprofundou ainda mais.
Ela sabia que, neste jogo, desde o momento em que pisou na Antártida, não havia mais volta.
E a vida de Gregório estava suspensa neste equilíbrio precário; o menor descuido e tudo estaria perdido.
Enquanto isso, Vicente, do início ao fim, representava o papel de um inocente.
Desde o primeiro encontro, tudo foi premeditado.
Desde que ela começou na NexGen Tecnologia, não, desde a competição IDISS, tudo fazia parte de um plano calculado.
Essas pessoas planejavam com muita antecedência, suas mentes sempre muito complexas.
Às vezes, era impossível se defender.
Viver assim também era realmente cansativo.
Sófia respirou fundo.
Naquele quarto escuro, o ar estava estagnado como um bloco de gelo.
Vicente observou sua mudança de expressão, o sorriso em seus lábios se aprofundando: "Ela está se divertindo muito com Enzo Pacheco agora, não está?"
"Enzo agora é meu filho, você sabe as consequências."
Essa frase foi como uma faca afiada e gelada, cravando-se violentamente no coração de Sófia.
Ela sentiu um frio por todo o corpo, até as pontas dos dedos tremiam violentamente, enquanto a imagem do sorriso doce de sua filha passava por sua mente.
"Você sabe o que é melhor para você."
Vicente se endireitou, espanando a poeira inexistente de suas roupas, com um tom indiferente. "Vou te dar uma noite para pensar bem."
"Não me force a ser violento, não será bom para ninguém."
Depois de dizer isso, ele se virou e caminhou em direção à porta, o som de seus passos ecoando claramente no quarto vazio.
No momento em que a porta se fechou, ouviu-se o clique suave da fechadura, aprisionando Sófia completamente naquela jaula de desespero.
A comida na mesinha ainda soltava vapor, mas Sófia sentia um frio glacial por todo o corpo, até mesmo sua respiração era cortante.
Ela se encolheu lentamente, enterrando o rosto nos joelhos, os ombros tremendo incontrolavelmente.
De um lado, a vida de seu amado; do outro, a segurança de sua filha. E a pesada verdade, tudo isso a pressionava tanto que mal conseguia respirar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...