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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1227

Depois que Vicente saiu, Sófia não dormiu a noite toda.

Até o dia seguinte.

As manchas de sangue em suas roupas já haviam secado, formando crostas escuras que grudavam no tecido, com um cheiro adocicado e metálico que não desaparecia.

Sua mente estava um emaranhado.

Ela não sabia se a luz da sala de cirurgia havia se apagado, não sabia se a bala que roçou o coração de Gregório havia, de fato, tirado sua vida.

Foi nesse momento.

O som da fechadura girando soou abruptamente, quebrando o silêncio mortal.

Vicente abriu a porta e entrou, ainda trazendo o frio de fora.

Ele olhou de cima para Sófia, encolhida no canto, seu tom neutro, sem demonstrar alegria ou raiva: "Já pensou?"

Sófia levantou lentamente a cabeça, seus olhos cheios de veias vermelhas, o rosto pálido como papel.

Ela se apoiou em seu corpo dormente e conseguiu se levantar com dificuldade: "Este projeto não é meu, não sou eu quem decide."

"Os dados técnicos e as permissões principais estão todos com Gregório."

Ela encontrou o olhar de Vicente, cada palavra dita com firmeza: "Ele precisa estar vivo para ser útil para você."

Vicente ergueu uma sobrancelha, parecendo um pouco surpreso, e então riu baixo, mas não havia calor em seus olhos: "Você é bem inteligente."

Ele caminhou até o sofá e sentou-se, seus dedos batendo levemente no apoio de braço, produzindo um som abafado. "Ele ainda está na sala de cirurgia. A bala passou perto da artéria coronária, por pouco não foi fatal."

Ele fez uma pausa: "Lutamos por toda a vida. Se ele simplesmente morresse assim, eu sentiria pena."

O coração de Sófia afundou. A pedra que pairava sobre ela durante toda a noite, afinal, não havia caído.

Ela caminhou rapidamente até Vicente: "Contanto que você o salve, eu farei qualquer coisa que você pedir."

"Os dados, o esclarecimento, eu posso cooperar com tudo."

"Mas você deve garantir que não machucará minha filha Clara."

Vicente ergueu os olhos para ela: "É melhor não tentar nenhuma gracinha."

Sua voz era leve. "Você deveria saber que a vida de Clara, agora, está em minhas mãos."

"Você deveria entender claramente sua situação atual. Você não tem o direito de negociar comigo. Você fará o que eu mandar."

Depois de dizer isso, ele se levantou, ajeitou as roupas e, sem olhar mais para Sófia, foi direto para a porta.

Sófia respirou fundo.

Sentiu um aperto no peito e no coração.

Naquele momento, ela sentiu apenas um desespero infinito, sem ver um caminho a seguir.

Se pudesse, ela daria sua própria vida para mudar tudo.

Mas os planos de Vicente eram muito sérios e ameaçavam a segurança do país.

-

Vitória cobriu o rosto, sentindo-se péssima.

"Como ele está agora?"

"Não muito bem", respondeu Vicente. "Mas essa não é uma questão com a qual você deva se preocupar."

Com isso, Vicente desligou o telefone. A cinza do charuto foi levada pelo vento, espalhando-se no chão gelado.

-

Ao mesmo tempo.

No acampamento temporário na borda da plataforma de gelo da Antártida, o vento e a neve ainda uivavam.

Daniel estava parado na neve desolada, seu casaco preto à prova de frio manchado de neve, seu rosto tão sombrio que parecia que ia chover.

Ele e seus homens lutaram por um longo tempo com os subordinados de Vicente. Quando finalmente conseguiram escapar, descobriram que o rastro de Sófia e Gregório havia desaparecido completamente. Na neve, restava apenas uma poça de sangue já coagulado e escuro, tão chocante que apertava o coração.

"Sr. Daniel, o que fazemos agora?"

Um subordinado abaixou a cabeça, sua voz carregada de pânico.

Todos sabiam que Daniel tinha uma vasta rede de influência no exterior, transitando entre o submundo e a lei, mas neste lugar de gelo e neve, alguém havia escapado bem debaixo de seu nariz.

Daniel cerrou os punhos com força, os nós dos dedos brancos, enquanto o vento cortante açoitava seu rosto.

Seus lábios finos se apertaram, e as palavras que saíram eram frias como gelo: "Investiguem. Revirem céus e terra, mas encontrem-nos para mim!"

Ele queria ver que jogo Vicente estava tentando jogar. Ousar tocar nas pessoas que ele protegia significava estar pronto para pagar o preço.

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