O ar frio no abrigo do penhasco de gelo penetrava lentamente em seus ossos.
Sófia abraçava o corpo de Gregório, que esfriava gradualmente, ouvindo as palavras de Renata.
Seus dedos ainda estavam manchados com sangue seco. Ela se forçou a cerrar os punhos, engolindo as lágrimas.
Não era hora de desmoronar. Neste mundo, só ela poderia salvá-lo.
Seguindo as instruções de Renata ao telefone, ela ajustou a força da pressão para estancar o sangue. O agente coagulante infiltrou-se lentamente na gaze, e o sangramento no peito finalmente parou de jorrar.
Mas Gregório permanecia de olhos fechados, o rosto pálido como se coberto por uma fina camada de gelo, e o movimento de sua respiração era quase imperceptível.
As pontas dos dedos de Sófia tremiam enquanto ela verificava repetidamente sua respiração. Cada toque era como uma tortura para seu próprio coração.
"Daniel... ele ainda está lutando com aquelas pessoas, não sei como ele está."
A voz de Sófia estava carregada de congestão nasal enquanto falava com dificuldade ao telefone.
Do outro lado da linha, Renata, que estava calmamente dando instruções de primeiros socorros, de repente ficou tensa ao ouvir o nome "Daniel".
Sua voz se elevou bruscamente: "Daniel? Ele também está na Antártida?"
"Sim," Sófia hesitou, uma ponta de dúvida surgindo em seu coração, "você não sabia? Foi ele quem apareceu de repente para nos dar cobertura, permitindo que eu escapasse com Gregório até aqui."
Um longo silêncio se instalou do lado de Renata, apenas sua respiração pesada podia ser ouvida através do receptor.
Sófia podia imaginar que, do outro lado da linha, a mulher devia estar pálida.
Ela só sabia que Renata e Daniel tiveram um relacionamento complicado por anos. Recentemente, ouviu dizer que Daniel estava de casamento marcado e iria deixar Renata para sempre, mas nunca imaginou que ele esconderia de todos e viria para este lugar de gelo e neve.
"Envie-me sua localização." disse Renata. "Vou comprar uma passagem de avião agora mesmo, estou indo para aí."
Com as mãos trêmulas, Sófia abriu a localização em seu celular e enviou as coordenadas.
No momento em que desligou o telefone, ela não aguentou mais. Enterrou o rosto no pescoço frio de Gregório, e seus soluços reprimidos foram engolidos pelo vento e pela neve.
Ela não conseguia arrastá-lo. Naquela vasta planície de gelo, não havia para onde ir, nem onde se aquecer. O frio cortante e um sentimento avassalador de impotência a tornavam extremamente difícil de suportar cada minuto, que parecia uma eternidade.
Ela olhava para o rosto pálido do homem, para as marcas de sangue seco, e seu coração parecia ser apertado firmemente por uma mão invisível, doendo tanto que mal conseguia respirar.
Ela não conseguia pensar em nenhuma solução, apenas abraçá-lo.
Nesse momento, um som de passos firmes, pisando na neve, se aproximou de longe.
Sófia levantou a cabeça bruscamente, olhando com desconfiança na direção do som.
Em meio ao vento e à neve, uma figura alta e esbelta se aproximava lentamente. O homem usava um longo casaco preto à prova de frio, sua postura era ereta. Entre os dedos, segurava um cigarro aceso, a brasa vermelha piscando intermitentemente.
Ele se aproximou e olhou de cima para os dois abraçados na neve, com uma expressão de indiferença casual nos olhos.
Mas agora, com Gregório à beira da morte, ela não tinha escolha.
Vicente, como se lesse sua hesitação, riu baixo: "Se não quiser vir comigo, tudo bem também."
"Se não aceita por bem, aceitará por mal."
Antes que suas palavras terminassem, ele levantou a mão.
Instantaneamente, vários guarda-costas vestidos de preto surgiram na neve, seus movimentos ágeis e bem treinados.
Eles foram diretamente até Gregório e, ignorando os protestos de Sófia, levantaram-no da neve.
"Não! Soltem-no!"
Sófia se lançou sobre eles como uma louca, mas foi firmemente segurada pelos ombros por dois guarda-costas, incapaz de se mover.
Ela viu Gregório ser carregado brutalmente sobre um ombro, sua cabeça pendendo sem vida, como um objeto inanimado. As lágrimas finalmente jorraram. "Vicente! Se você ousar tocá-lo, eu nunca vou te perdoar!"
Vicente nem sequer olhou para ela, virando-se e caminhando em direção ao helicóptero estacionado não muito longe.
O vento frio carregou sua voz: "Levem-na."
Em seguida, o braço de Sófia foi agarrado com força. Ela lutou, mas não conseguiu competir com a força do outro, sendo arrastada à força atrás deles.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...