Seu pé escorregou, e os dois caíram pesadamente na neve.
A neve gelada encharcou suas roupas instantaneamente, e um frio cortante a atingiu, mas Sófia não se importou.
Ela lutou para se levantar e se arrastou até Gregório, abrindo trêmula a gola de sua camisa manchada de sangue.
O ferimento ainda sangrava profusamente, manchando uma grande área da neve de vermelho.
O rosto de Gregório estava pálido como papel, sem cor alguma, seus membros terrivelmente rígidos, e sua respiração tão fraca que era quase imperceptível.
Sófia olhou para aquela mancha vermelha ofuscante, para o rosto sem vida do homem, e o medo e o desespero acumulados durante todo o trajeto explodiram naquele momento.
Ela não conseguiu mais se conter e, abraçando o corpo de Gregório, desatou a chorar.
O vento e a neve uivavam, levando seus soluços.
A neve no abrigo do penhasco era fria como ferro solidificado.
Sófia abraçava o corpo de Gregório, que perdia calor gradualmente. Um desamparo e desespero sem fim a submergiram completamente, como uma maré.
Era como na vida passada, quando perdeu sua filha. Seu coração era apertado por uma mão invisível, doendo a ponto de ficar entorpecido, e até mesmo respirar era pesado e difícil.
O destino era sempre assim, repetidamente empurrando as pessoas importantes de sua vida para a beira do abismo, enquanto ela só podia ficar parada, sem forças sequer para estender a mão e salvá-las.
Ela, tremendo, abriu sua mochila e tirou o kit de primeiros socorros. Iodo, gaze e algodão hemostático se espalharam pelo chão.
Ignorando o frio cortante, com as pontas dos dedos roxas de frio, ela agiu por instinto, tratando desajeitadamente o ferimento no peito de Gregório.
O sangue jorrava intensamente, encharcando camada após camada de gaze. Suas lágrimas caíam sobre a gaze, misturando-se com o sangue, geladas e cortantes.
Ela não conseguia distinguir se era o silêncio da morte, sem respiração, ou a rigidez causada pelo gelo e pela neve.
Lágrimas silenciosas escorreram, caindo na neve e congelando instantaneamente em pequenas pérolas de gelo.
Ela se ajoelhou na neve, abraçando o corpo de Gregório, seus ombros tremendo violentamente, mas sem conseguir emitir som algum.
O vento e a neve continuavam a uivar, carregando fragmentos de gelo que açoitavam seu rosto, como inúmeras pequenas facas, causando uma dor aguda.
Mas ela não sentia nada, apenas o vazio e o frio sem fim em seu coração.
"Não se desespere, ouça-me com calma. Ficar nervosa agora não vai adiantar nada. Você precisa aquecê-lo o máximo possível, não deixe o corpo dele esfriar completamente."
Renata disse: "Você é o pilar agora, você é a mais importante. Se você fizer tudo certo, ele ainda tem uma chance."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...