A voz de Sófia foi como um raio de luz que perfurou a escuridão caótica.
Ela se apressou para ampará-lo, mas ele estendeu o braço de repente e, com toda a força que lhe restava, a puxou para um abraço.
Seu braço a apertava na cintura como um aro de ferro, com uma força que parecia querer fundi-la aos seus próprios ossos.
Lágrimas quentes caíram sem aviso em seu pescoço, com uma temperatura escaldante que fez seu coração estremecer.
"Desculpe... desculpe..."
Sua voz estava rouca e quebrada, como vidro estilhaçado, e cada palavra carregava um forte tom anasalado. "Eu errei... não devia ter assinado... não devia ter deixado você e a Clara partirem..."
Sófia mal conseguia respirar com o aperto, mas não queria se soltar.
Ela podia sentir claramente o tremor do corpo dele, o desespero e o medo em sua voz, e sentir seu coração batendo descontroladamente em seu peito, com o pavor de quem sobreviveu a uma catástrofe.
Ela ergueu a mão e afagou suavemente as costas dele.
"Gregório, o que aconteceu? O que você está dizendo? Eu não estou entendendo."
O homem enterrou o rosto no pescoço dela, seus ombros tremendo violentamente.
Durante esse tempo, esse sonho o atormentava repetidamente, cada vez tão real que ele não conseguia distinguir o sonho da realidade.
A dor lancinante do sonho estava gravada em sua alma, lembrando-o a todo momento...
Ele quase perdeu tudo no mundo.
"Eu sonhei... sonhei que vocês não estavam mais aqui..."
Sua voz era intermitente, com um forte tom anasalado. "Eu mesmo assinei... mandei vocês embora... a água do mar era tão salgada... eu não consegui salvar vocês..."
Sófia ficou atônita.
As coisas da vida passada.
Existiam nas profundezas de sua memória?
Ela levantou a mão e acariciou suavemente seus cabelos, os dedos passando por seus fios úmidos de suor.
"Gregório," sua voz era muito suave, mas carregava uma força incrivelmente firme, e cada palavra chegou claramente aos seus ouvidos, "eu estou aqui, e a Clara também está aqui."
"Nós estamos bem, não te deixamos."
O corpo do homem enrijeceu por um momento, e a força com que a segurava diminuiu gradualmente.
No momento em que ele a soltou, o homem de repente retesou as costas.
Um acesso de tosse violento explodiu sem aviso, mais forte do que qualquer um dos anteriores.
Sófia pôde sentir claramente a vibração no peito de Gregório. Ele agarrou a barra da roupa dela com força, os nós dos dedos brancos pelo esforço.
No instante seguinte, um líquido quente espirrou no dorso da mão dela, com um forte cheiro de ferro.
O corpo de Sófia congelou de repente, seu sangue parecendo ter parado de circular naquele momento.
Ele se curvou, com uma mão apoiada na beirada da cama e a outra pressionando firmemente o peito, o rosto pálido como papel, a testa coberta de suor frio.
A dor lancinante se espalhava do peito para o coração, e cada respiração era como uma lâmina raspando seus pulmões.
Ele tinha pavor de que Sófia o visse naquele estado deplorável, com medo de que ela se preocupasse, de que entrasse em pânico, então só podia aguentar firme, engolindo toda a dor.
Sófia não conseguiu mais se conter e, em pânico, pegou o celular.
Ela precisava ligar, ligar para Ricardo Paiva, para Renata Rocha, eles eram médicos de confiança de Gregório, com certeza saberiam o que estava acontecendo, com certeza teriam uma maneira de salvá-lo.
Mas, tremendo de nervosismo, ela errou o número várias vezes.
Quando finalmente conseguiu encontrar o contato de Ricardo e pressionou o botão de chamada, a tela exibiu a mensagem "Sem Sinal".
Aquelas duas palavras frias foram como um balde de água fria, apagando instantaneamente a última centelha de esperança em seu coração.
Ela olhou para o indicador de "sem sinal" na tela do celular, depois se virou para o homem na cama, que sofria em silêncio, e um profundo sentimento de impotência a dominou.
Nesta planície de gelo da Antártida, isolados por uma nevasca, eles eram como abandonados pelo mundo.
Ela estava cuidando dele, mas não conseguia fazer nada para aliviar nem um pouco de sua dor.
Sófia se agachou lentamente e segurou a mão de Gregório que pendia ao lado da cama. A mão ainda estava gelada, com um frio cortante.
"Gregório, aguente firme." Sua voz estava embargada. "Com certeza haverá um jeito, com certeza haverá."
O homem na cama olhou para ela e deu um leve sorriso. "Por que se preocupar? Tusso assim há tantos anos, não vou morrer."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...