"Não fale mais." Sófia Lopes olhou para Gregório Pacheco. "Descanse bem, guarde um pouco de energia."
O olhar de Gregório era profundo, fixo no rosto dela.
Sob a luz, os olhos dela estavam cheios de veias vermelhas, e havia leves olheiras escuras sob eles, claramente um sinal de que seu corpo havia sido exaurido por vigiá-lo nos últimos dias.
Ele a observou, o pomo de adão movendo-se suavemente, querendo dizer algo.
No final, ele apenas assentiu levemente e respondeu com a voz rouca: "Está bem."
Seu coração, no entanto, parecia cheio de algo, uma mistura de sentimentos borbulhando: azedo, adstringente, doloroso, e um fio de calor indescritível.
Sófia sentou-se por um momento, mas ainda não conseguia ficar tranquila.
Ela se levantou, ajeitou suavemente o canto do cobertor para ele e saiu do quarto.
O corredor estava silencioso, apenas a luz fraca da iluminação de emergência brilhava.
Ela bateu nas portas dos quartos vizinhos, um por um, perguntando se alguém tinha remédio para tosse ou pastilhas para a garganta.
A maioria dos membros da equipe de expedição eram subordinados de Gregório. Vendo-a daquele jeito, todos entenderam a situação lá dentro e começaram a procurar em suas bagagens.
Em pouco tempo, Sófia tinha em suas mãos várias cartelas de remédios para tosse de diferentes marcas e duas caixas de pastilhas para a garganta.
Ela agradeceu e voltou rapidamente para o quarto, serviu um copo de água morna e levou o comprimido à boca de Gregório.
"Tome o remédio, deve aliviar um pouco."
Gregório sabia em seu coração que esses remédios não fariam efeito algum para sua doença.
Mas ele ainda inclinou levemente o queixo, abriu a boca e engoliu o comprimido, depois colocou uma pastilha na boca.
O sabor doce e refrescante de menta se espalhou em sua boca, mas não conseguiu suprimir o gosto metálico em sua garganta.
A noite se aprofundava, e no quarto restava apenas o som suave da respiração dos dois.
A condição de Gregório não melhorou nem um pouco; ele ainda tossia abafadamente de vez em quando, e cada tosse puxava a dor em seu peito, fazendo com que um suor frio e fino brotasse em sua testa.
Sófia permaneceu ao lado da cama sem se afastar, enxugando seu suor, ajeitando o cobertor, com o olhar fixo nele a todo momento.
Ela não ousava fechar os olhos, com medo de que, se o fizesse, perderia algo.
Não importava, ela podia esperar.
-
No dia seguinte.
A nevasca diminuiu gradualmente.
Mas a estrada ainda não estava liberada.
Sófia não dormiu a noite toda, vigiando ao lado da cama de Gregório até o amanhecer.
Ela levantou a mão e tocou a testa dele.
A temperatura escaldante já havia diminuído, substituída por um toque ligeiramente frio, e o som de sua respiração regular subia e descia no quarto silencioso.
Ele realmente havia melhorado um pouco, não tossiu violentamente na segunda metade da noite, muito menos tossiu sangue.
Gregório abriu os olhos lentamente, encontrando o olhar de Sófia, cheio de veias vermelhas.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...