Daniel, ao vê-la insistir, não disse mais nada.
Sófia permaneceu de vigília por muito, muito tempo.
Ela se sentou ao lado da cama de Gregório, segurando uma toalha ligeiramente fria na mão, enxugando com gestos suaves o suor que brotava em sua testa.
No início da noite, Daniel veio mais uma vez para tentar convencê-la: "Srta. Lopes, você já está de vigília há dois dias e duas noites, se continuar assim, seu próprio corpo não vai aguentar."
"Nós estamos cuidando do Diretor Pacheco, você realmente não precisa fazer isso."
Sófia não respondeu, apenas baixou o olhar para a mão de Gregório.
Aquelas mãos que um dia seguraram instrumentos de precisão, que assinaram contratos de bilhões.
Que também, de forma desajeitada, haviam feito tranças no cabelo de Clara, agora estavam frias como gelo, sem o menor traço de calor.
Daniel suspirou e, por fim, não disse mais nada. Colocou a canja suavemente na mesa de cabeceira e saiu, com passos extremamente leves, fechando a porta atrás de si.
O quarto mergulhou novamente em um silêncio mortal, restando apenas o som da respiração dos dois e o ruído sutil dos flocos de neve caindo lá fora.
O frio da madrugada era como agulhas que penetravam por toda parte, entrando pelas frestas do tecido e fazendo doer até os ossos.
Sófia se encolheu dentro do volumoso casaco de inverno que vestia...
Era de Gregório, e ainda guardava o cheiro fresco e nítido dele.
Seu olhar não se desgrudava do rosto do homem por um instante sequer, observando sua testa franzida, seus cílios tremendo levemente, o suor fino que se acumulava cada vez mais em sua fronte.
Encharcando a franja de seu cabelo.
O coração de Sófia ficava cada vez mais pesado, a ponto de sufocá-la.
Ela se lembrou de Geovana Alves e Lucas Dutra, lembrou-se de como, muito tempo atrás, eles a levaram para uma longa e séria conversa em uma cafeteria.
Naquela época, ela tinha acabado de se mudar de volta para a cidade com Clara, evitando Gregório a todo custo, franzindo a testa instintivamente só de ouvir seu nome.
Geovana olhou para ela, com um tom sério, quase solene: "Sófia, eu sei que é difícil para você superar o que aconteceu, essas feridas não são algo que se possa esquecer facilmente."
"Mas você já parou para pensar, de verdade, o que faria se um dia o Gregório realmente não estivesse mais aqui?"
Lucas concordou com a cabeça e suspirou: "Clara ainda é pequena, ela precisa de um pai."
"E você... você se atreve a dizer que não sente mais absolutamente nada por ele?"
Naquele momento, ela achou aquelas palavras irritantes e desnecessárias.
Ela deu um sorriso frio, levou a xícara de café aos lábios e tomou um gole, tão amargo que a fez franzir a testa: "A vida ou a morte dele não me diz respeito."
Mas agora, olhando para o homem à beira da morte na cama do hospital.
As altas muralhas que ela havia construído deliberadamente, o gelo da indiferença que ela fingia ter, tudo desmoronou em um instante.
Sim, ele não estaria ali para sempre.
Seu corpo já estava em pedaços há muito tempo; a depressão e as obsessões do passado já haviam drenado toda a sua vitalidade.
E esta viagem à Antártida, o trajeto em que ele a carregou nas costas pela planície de gelo, consumiu até a sua última gota de força.
Congelamento, febre alta, exaustão física... cada um desses fatores era como a última palha que quebra as costas do camelo, podendo a qualquer momento arrastá-lo para o abismo.
Ele poderia partir a qualquer momento.
Ele não sabia para onde estava indo, só sabia que precisava levá-las consigo.
Ir para um lugar onde ninguém pudesse encontrá-los, para ficar com elas e nunca mais se separar.
As ondas do mar batiam com força na costa, como o choro contido de Sófia.
Ou como a voz doce de Clara, chamando "papai" repetidamente.
"Papai, me abraça."
"Gregório, olha para mim."
Essas vozes eram como inúmeras agulhas perfurando seu coração, doendo tanto que ele se encolheu.
De repente, uma onda gigantesca de água do mar veio em sua direção, fria e salgada, invadindo sua boca e seu nariz.
A sensação de sufocamento tomou conta de tudo.
"Cof!"
Uma tosse violenta rompeu o bloqueio em sua garganta.
Um líquido com gosto de ferro subiu à sua língua e escorreu pelo canto de seus lábios, manchando de vermelho a fronha branca.
Gregório abriu os olhos abruptamente, suas pupilas contraídas, o branco dos olhos tomado por veias vermelhas de pavor.
Seu peito subia e descia violentamente, cada respiração trazendo uma dor dilacerante, e as imagens do pesadelo ainda giravam loucamente em sua mente, impossíveis de afastar.
"Gregório!"

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...