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A Glória da Ex-Esposa romance Capítulo 1209

O vento e a neve lá fora não pararam.

Aninhada nos braços de Gregório, a consciência de Sófia flutuava em um estado de caos.

Sua testa escaldante estava pressionada contra o pescoço frio dele, a respiração quente e ofegante, cada expiração carregando uma temperatura abrasadora.

Ela instintivamente se movia em direção ao calor, enterrando-se completamente em seu abraço.

Seus braços finos envolviam firmemente sua cintura, com medo de que, se o soltasse, aquele único calor desaparecesse.

Gregório estava sentado contra a parede de rocha fria, as costas retas, protegendo firmemente Sófia em seus braços.

Sua palma acariciava repetidamente sua testa febril. O toque escaldante em seus dedos apertava seu coração, e seu olhar se tornava cada vez mais sombrio.

A pessoa em seus braços era leve como uma pluma, mas pesava em seu coração, deixando-o sem fôlego.

Ele olhou para seu rosto pálido, seus longos cílios úmidos colados às pálpebras, as sobrancelhas franzidas com força, claramente sofrendo uma dor imensa.

A tela do celular ainda exibia o aviso de "sem sinal". A luz azul e fria refletia em sua mandíbula tensa, sua expressão era péssima.

Ele sabia que não podia mais esperar.

A tempestade de neve havia diminuído um pouco, mas não dava sinais de parar. Se continuassem assim, a febre de Sófia só pioraria, e as consequências seriam inimagináveis.

Ele não era totalmente estranho à topografia daquela planície de gelo.

Antes de partirem, ele pessoalmente liderou uma equipe para inspecionar a área circundante e sabia que a caverna estava localizada a sudoeste do posto de pesquisa.

Entre eles, havia uma geleira e uma planície de neve. A distância em linha reta não era muito grande, mas o vento e a neve dificultavam a orientação.

A noite se aproximava, e a temperatura na planície de gelo caiu para quarenta graus negativos.

Gregório envolveu Sófia firmemente em seu casaco de proteção, depois usou tiras de pano para amarrar seus corpos juntos, garantindo que ela não escorregasse de suas costas.

Ele se encostou na parede de rocha, verificando a temperatura dela de tempos em tempos. Cada vez que tocava, a sensação era mais quente, fazendo seu coração afundar um pouco mais.

A lenha na caverna já havia queimado, restando apenas uma pilha de cinzas frias.

Gregório não ousava fechar os olhos, com medo de que, se adormecesse, algo acontecesse com a pessoa em seus braços.

Ele só podia acariciar suas costas repetidamente, aquecendo-a com o calor de seu corpo, sussurrando seu nome, como uma prece ou um consolo.

Quando o céu começou a clarear, a febre de Sófia não mostrava sinais de ceder. Pelo contrário, piorou, e sua consciência ficou ainda mais turva.

Ela murmurava coisas desconexas, ora chamando por "Clara", ora por ele.

O coração de Gregório parecia ser esmagado por uma mão invisível, doendo tanto que ele mal conseguia respirar.

Ele não podia mais hesitar.

Ele cuidadosamente levantou Sófia de seus braços e sussurrou em seu ouvido: "Sófia, vou te carregar para fora daqui. Você não pode continuar aqui, temos que ir para o posto de pesquisa, encontrar um médico."

Sófia abriu lentamente os olhos. Aqueles olhos, geralmente claros e brilhantes, agora estavam cobertos por uma espessa névoa de água, o olhar perdido, incapaz de ver a figura à sua frente.

Ela balançou a cabeça fracamente: "Gregório... não se esforce... eu não consigo andar..."

Obrigada por me carregar nesta jornada gelada.

Obrigada por ainda estar ao meu lado.

Gregório continuou andando, carregando-a, e apenas respondeu em voz baixa: "Não fale, guarde suas forças. Estamos quase chegando."

Na verdade, nem ele sabia quanto tempo levaria para chegar.

A neve e o vento reduziam a visibilidade a menos de dez metros. Os edifícios e pontos de referência ao redor estavam cobertos de neve, e a direção já estava confusa.

Ele só podia confiar na memória e na intuição para seguir em uma direção aproximada.

Ele não sabia há quanto tempo estava andando, sentia apenas que toda a sua força estava se esgotando, seus membros congelados e dormentes, quase sem sensibilidade.

O peso em seus ombros ficava cada vez mais pesado, mas a temperatura da pessoa em seus braços subia cada vez mais, queimando seu coração com uma dor aguda.

Seus lábios estavam rachados e sangrando, a garganta como se estivesse em chamas, até respirar doía.

Mas ele não ousava parar, nem por um passo.

Ele temia que, se parasse, não conseguiria mais se levantar.

Ele temia que, se caísse, Sófia morreria naquela planície de gelo.

Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, quando sua consciência estava prestes a se apagar, uma luz fraca apareceu de repente à distância.

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