A água da neve derreteu gradualmente, liberando um vapor suave.
A temperatura dentro da caverna subiu aos poucos, e o calor envolveu os dois, isolando-os temporariamente do vento e da neve lá fora.
A água quente fumegava. Sófia segurou cuidadosamente a mão de Gregório e a mergulhou na água morna.
As pontas dos dedos do homem já estavam um pouco enegrecidas pelo frio, e o contato com o calor causou uma dor aguda, mas ele apenas franziu a testa, sem dizer uma palavra.
"A lenha está acabando."
Sófia disse em voz baixa enquanto limpava suavemente a ferida em sua mão com um pano limpo, seu olhar voltado para a pilha de galhos que diminuía.
"Precisamos encontrar uma maneira de contatar o mundo exterior, e... espero que esta tempestade de neve pare logo."
Gregório não disse nada, apenas observava seus olhos baixos, a maneira como ela limpava cuidadosamente sua ferida.
A chama projetava sombras dançantes em seu rosto, suavizando o contorno teimoso que ela geralmente exibia.
De repente, ele sentiu que talvez aquela situação desesperadora não fosse de todo ruim.
O vento e a neve lá fora continuavam a uivar, como se não tivessem fim.
A chama alaranjada enfraqueceu gradualmente, e os galhos queimados se transformaram em uma pilha de cinzas vermelho-escuras.
A temperatura dentro da caverna começou a cair novamente, e o frio os envolveu mais uma vez.
Sófia estava encostada na parede de rocha, semiconsciente, o rosto queimando.
Ela se encolheu, tremendo incontrolavelmente. Seus ombros finos tremiam levemente, e sua respiração tornou-se ofegante.
Gregório foi o primeiro a perceber que algo estava errado. Ele tocou sua testa, e a temperatura escaldante que sentiu em seus dedos fez seu coração afundar.
Ele rapidamente desabotoou o forro térmico que ainda usava, envolveu-o em Sófia e a puxou para mais perto de si, tentando aquecer suas mãos e pés gelados com o calor de seu corpo.
"Sófia? Sófia, acorde."
Seus dedos estavam quentes e fracos, seu olhar ainda turvo, mas havia uma força teimosa em seu aperto.
"Não vá..."
Sua voz era fraca como o zumbido de um mosquito, mas cada palavra era clara. "Estou com febre... não vou morrer... Se você sair... pode realmente morrer..."
O corpo de Gregório enrijeceu de repente, e ele se virou para olhá-la.
Na penumbra, os olhos de Sófia brilhavam intensamente, com um misto de súplica e medo.
Ele olhou para seu rosto pálido, sentindo a força fraca, mas firme, em seu pulso, e sua garganta se fechou, impedindo-o de falar.
O vento e a neve continuavam lá fora, e o ar dentro da caverna estava terrivelmente silencioso.
Ele se agachou lentamente, puxando Sófia de volta para seus braços, abraçando-a com força, como se quisesse fundi-la a si mesmo.
"Tudo bem, eu não vou." Sua voz estava pesada e anasalada. "Ficarei com você, não vou a lugar nenhum."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...