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A neve e o vento do lado de fora da caverna não mostravam sinais de parar.
A luz dentro da caverna ficava cada vez mais fraca, e o frio se infiltrava pelas frestas da parede de rocha, fazendo os ossos doerem.
Sófia esfregava a mão arroxeada de Gregório. O calor de sua palma parecia se perder no vazio; não importava o quanto ela soprasse ou esfregasse, não conseguia aquecer aquele frio que penetrava até os ossos.
Os dedos do homem estavam rígidos e curvados, os vasos sanguíneos sob a pele com um tom azul-escuro, claramente congelados.
"Não adianta."
Gregório retirou suavemente a mão. Sua voz estava calma, sem emoção. Seus dedos pendiam ao lado do corpo, como um pedaço de gelo sem sensibilidade.
"Já está dormente há muito tempo, não sinto nada."
Sófia olhou para a palma vazia dele, o coração apertado, uma sensação de sufocamento.
Ela olhou ao redor da caverna e seu olhar pousou em um monte de galhos secos no canto, seus olhos brilhando: "Tem galhos, vamos fazer uma fogueira."
"Você tem um isqueiro?"
Gregório balançou a cabeça.
Desde que estava com Sófia, ele não fumava.
Ele se lembrava que ela não gostava do cheiro de cigarro, e ele inconscientemente evitava qualquer coisa relacionada a isso.
"Deixa comigo."
Ele se agachou, pegou dois galhos de espessura adequada e, com um pequeno canivete multifuncional do bolso, fez um pequeno sulco em um deles.
Fazer fogo por fricção era uma habilidade básica de sobrevivência, mas exigia muito esforço físico, o que não era fácil para ele em sua condição atual.
Sófia observava seu rosto sério e concentrado. Sua mão ferida tremia levemente com o esforço, e ela franziu a testa instantaneamente: "Precisa de ajuda?"
"Não precisa." Gregório não levantou a cabeça, a voz baixa e firme. "Sente-se um pouco, não pegue frio."
Ele pressionou seu ombro, com uma força suave. "Lá fora o vento está forte. Fique sentada, não saia."
Sófia levantou os olhos para ele: "Você acha que eu não sou capaz de fazer nada?"
Gregório olhou para ela.
O pomo-de-adão do homem se moveu, e sua voz suavizou: "Não suporto ver você fazendo isso."
Ela deveria ter uma vida de luxo e conforto, não deveria estar sofrendo neste lugar gelado com ele, não deveria estar agachada nesta caverna rudimentar, se esforçando por um pouco de água quente e uma fogueira.
Essas tarefas rudes, cansativas e desajeitadas deveriam ser assumidas por ele.
Sófia parou de repente, a raiva em seu coração como se tivesse sido apagada por um balde de água morna, deixando apenas uma sensação de aperto e acidez.
Ela olhou para a seriedade em seus olhos, para sua mão que ainda sangrava, e de repente não conseguiu mais contestá-lo.
No final, foi Gregório quem se levantou, afastou a neve que bloqueava a entrada da caverna e, enfrentando o vento e a neve, voltou com meia panela de neve.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...