O coração de Sófia foi como que atingido suavemente por algo, uma sensação agridoce e calorosa.
Ela olhou para o perfil calmo de Gregório e de repente se lembrou do que ele disse na noite anterior: "Em que você estivesse bem."
Esse cuidado nunca foi apenas da boca para fora.
"E você?", Sófia recompôs-se, seu tom tornando-se sério. "Como está a sua condição? Todo esse tempo, você esteve em tratamento?"
O olhar de Gregório escureceu um pouco, mas ele não evitou a pergunta: "Renata vai agendar o tratamento em breve."
Ele fez uma pausa, e sua voz ficou um pouco mais grave. "É a terapia de eletrochoque para depressão grave."
A respiração de Sófia parou abruptamente, e ela o olhou incrédula: "Terapia de eletrochoque? Isso não é muito...?"
Ela não terminou a frase, mas não conseguiu esconder a preocupação em seus olhos.
Ela sabia o quão desgastante a terapia de eletrochoque era para o corpo e o quão doloroso era o processo.
"Eu não sou tão emocionalmente estável quanto pareço."
O tom de Gregório era calmo, como se estivesse falando de outra pessoa. "Às vezes, essas emoções negativas vêm à tona sem controle, e eu simplesmente não consigo contê-las."
"Por isso o tratamento tem sido contínuo. Quero que você saiba de tudo isso."
Ele não queria mais esconder nada dela; as barreiras do passado já eram suficientes.
Nesse momento, Renata se aproximou, segurando a ficha de tratamento: "Podemos ir. Gregório, a sala de tratamento já está pronta."
Gregório assentiu, levantou-se e olhou para Sófia: "Eu vou entrar, você pode me esperar aqui fora."
Sófia não disse nada, apenas o seguiu instintivamente.
Renata olhou para ela, não a impediu, apenas disse suavemente: "Há uma janela de observação do lado de fora, você pode esperar lá."
Ele não era frio, apenas estava exausto pela tortura da depressão grave.
O tratamento durou cerca de meia hora. Quando o aparelho foi desligado, Gregório parecia ter perdido todas as forças, deitado na maca, ofegando pesadamente, o rosto pálido sem um pingo de cor.
A enfermeira veio remover os eletrodos, disse algo em voz baixa, e ele apenas assentiu levemente, sem falar.
Sófia não aguentou mais, abriu a porta e correu para dentro, aproximando-se rapidamente da maca, sua voz tremendo incontrolavelmente: "Gregório, como você está?"
Gregório abriu os olhos lentamente e, ao ver seus olhos avermelhados, deu um sorriso fraco: "Estou bem, já me acostumei."
Sua voz estava extremamente rouca, carregada de um cansaço profundo, mas ele ainda se esforçava para confortá-la.
Sófia olhou para ele naquele estado, o coração doendo como se estivesse sendo cortado por uma faca, uma dor densa e sufocante.
Ela estendeu a mão, querendo tocá-lo, mas com medo de machucá-lo, hesitou por um longo tempo, e no final, apenas segurou suavemente sua mão fria.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...