Quando a palma morna de Sófia Lopes pousou sobre o dorso frio da mão de Gregório Pacheco.
Gregório enrijeceu por inteiro.
Ele quase que instintivamente apertou os dedos, segurando a mão dela com firmeza em sua palma.
Aquele calor era ardente, profundo, espalhando-se por suas veias até os lugares mais recônditos de seu corpo, fazendo com que seus nervos tensos relaxassem gradualmente.
Sófia ergueu os olhos, seus lábios se curvaram em um sorriso gentil, e seus olhos brilhavam com uma luz delicada: "Tudo vai ficar bem."
Sem palavras rebuscadas, apenas uma simples frase.
Gregório olhou para o jeito como as sobrancelhas dela se curvavam e seu coração gradualmente se acalmou.
Ela representava todas as coisas belas.
Ela raramente sorria para ele daquele jeito.
"Eu te acompanharei de agora em diante."
A voz de Sófia ainda era suave, uma afirmação, não uma pergunta.
A mão de Gregório que a segurava estremeceu levemente, e a força em seus dedos diminuiu: "Não precisa se forçar."
Ele sabia o quão difícil era o processo de tratamento e não queria que ela também suportasse esse tormento, muito menos que tomasse uma decisão forçada por pena ou senso de responsabilidade.
Sófia ergueu o olhar para ele: "Como isso seria me forçar? Eu não sou como você, que nega com a boca o que o coração quer, sempre mantendo as aparências."
Ela conhecia Gregório bem demais; ele era sempre assim, escondendo todas as suas emoções no fundo do coração, desejando se aproximar, mas se distanciando deliberadamente por causa de várias preocupações.
O pomo de adão de Gregório se moveu, ele abriu a boca, mas descobriu que não sabia como refutar.
As palavras de Sófia eram como uma chave que facilmente abriu suas camadas de disfarce, deixando-o sem ter para onde fugir.
Ele permaneceu em silêncio, apenas segurando a mão dela, mas a força de seu aperto aumentou inconscientemente, como se estivesse agarrando um tesouro precioso que havia sido perdido e reencontrado.
A enfermeira entrou e deu algumas instruções, e só então os dois soltaram as mãos lentamente.
Quando Gregório se levantou, ainda estava um pouco tonto, e Sófia instintivamente estendeu a mão para apoiá-lo, um gesto natural e sincronizado, como se nunca tivesse havido uma barreira entre eles.
Nesses dias, ela viu com clareza: a preocupação de Gregório era real, sua culpa era real, e seu desejo de afastá-la também era real.
Ela fez uma pausa, observando o choque e o pânico que passaram pelos olhos de Gregório, e um leve sorriso surgiu em seus lábios: "Então, você quer que eu corra atrás de você para dizer que te perdoo, que façamos as pazes e comecemos de novo?"
Essa frase foi como uma agulha, picando levemente seu coração.
A culpa em seu coração nunca desapareceria.
As coisas erradas que ele fez nunca desapareceriam.
Ele abriu a boca, mas sentiu a garganta como se estivesse bloqueada por algo, incapaz de dizer uma única palavra.
Depois de um longo tempo, Gregório finalmente conseguiu umedecer os lábios com dificuldade, sua voz terrivelmente rouca: "Desculpe."
Além dessas duas palavras, ele não sabia mais o que dizer.
Ele devia muito a ela, e um "desculpe" era pálido demais, mas não podia ser compensado com mais palavras.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...