Afinal, fazer aquele homem frio mudar não era uma tarefa tão difícil.
Gregório também pousou os talheres e lhe ofereceu um guardanapo. "Limpe a boca."
Sófia pegou o guardanapo e limpou os lábios.
"Deixei os documentos aqui. Lembre-se de assinar", disse Sófia, levantando-se.
"Certo." Gregório assentiu, sem tirar os olhos dela. "Vou pedir para o Bruno te acompanhar até lá embaixo."
"Não precisa, eu posso ir sozinha."
Sófia acenou com a mão e saiu.
Assim que ela saiu, Gregório soltou um longo suspiro, sentou-se no sofá e massageou as têmporas.
Nesse momento, Bruno entrou no escritório e, ao vê-lo daquele jeito, franziu a testa de forma quase imperceptível.
"O que aconteceu? Parece que não está de bom humor."
Gregório não respondeu.
Bruno arriscou: "Foi a Sra. Lopes que..."
Gregório balançou a cabeça.
"Ela parece ter descoberto muitas coisas."
O humor de Gregório estava incerto, flutuando.
Se ela tivesse a intenção, ele não conseguiria recusar.
Se ela o chantageasse usando o próprio sofrimento como arma, Gregório não teria como não ceder.
Bruno disse: "Na verdade, isso não é necessariamente ruim."
Ele, como observador, acompanhava os conflitos e desentendimentos entre os dois.
Por que duas pessoas que se amavam precisavam de tantos rodeios?
Eles podiam, perfeitamente, ficar bem juntos.
E agora, o primeiro passo havia sido dado por Sófia.
"Na verdade, muitas coisas não importam mais para ela. O Diretor também não precisa ficar se apegando ao passado. Se a própria pessoa envolvida não se importa mais, insistir nisso só se torna outra forma de feri-la."
Gregório gesticulou levemente com a mão, indicando que ele deveria sair.
Apenas ultimamente, as crises estavam se tornando cada vez mais frequentes.
Pareciam não ser mais controladas pelos medicamentos, nem por suas emoções.
Antes, com a dose normal desses remédios, ele conseguia manter uma certa estabilidade.
Pelo menos durante o trabalho, conseguia agir como uma pessoa normal.
Bruno, vendo sua aparência pálida e exausta, sentiu o coração apertar de angústia. "Essa frequência de crises não é normal. Deveríamos marcar uma consulta com a Dra. Rocha para reavaliar e criar um novo plano de tratamento."
"Eu acho que o fato de o senhor tomar os remédios por conta própria, sem método, também contribuiu para a resistência ao medicamento."
Ele era sempre irregular, mas não havia como ser diferente, sem ninguém por perto para supervisioná-lo.
Gregório era rigoroso com tudo, menos com a própria saúde.
Gregório respirou fundo. "Marque com a Renata para hoje à noite."
-
À noite.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...