O carro de Gregório parou em frente à clínica particular de Renata.
Ele abriu a porta, o corpo um pouco instável, e levou a mão à têmpora latejante.
Ao entrar no consultório, Renata já o esperava. Sobre a mesa, um grosso prontuário estava aberto, e sua expressão não era das melhores.
"Eu sabia que este dia chegaria, que você viria me procurar."
Ela se levantou, o tom misturado com resignação e reprovação, e empurrou um novo plano de tratamento em sua direção.
"Eu elaborei um plano para você aqui. Se desta vez você não seguir, eu não terei mais remédios para te dar."
"A dose está aumentando constantemente, e isso vai danificar seus neurônios. Você não dizia que sua mente era o mais importante?"
Gregório baixou os olhos, as pontas dos dedos tocando o papel frio, em silêncio.
"Você, que antes, para se manter lúcido e calmo, para evitar que os remédios danificassem seu cérebro, era capaz de controlar suas emoções à força, mesmo que isso o levasse ao limite do colapso, sem tomar os remédios."
A voz de Renata carregava um tom de quem se decepciona com alguém por quem tem grande estima. "Mas agora, para controlar suas emoções, você toma remédios com frequência, sem método, sem rotina. Seu corpo simplesmente não consegue se adaptar."
Ela deu um passo à frente, a voz mais firme: "Se você continuar desrespeitando as orientações médicas, nem um milagre poderá te salvar no final."
Gregório finalmente ergueu os olhos, um cansaço intransponível em seu olhar.
"Preciso aguentar pelo menos até o fim deste ano."
Ao ouvir aquilo, Renata suspirou profundamente, resignada.
Ela o conhecia bem demais. Desde o início, sua vontade de viver nunca fora forte. O que o sustentava não era o desejo pela vida, mas as responsabilidades inacabadas e os laços que o prendiam.
"Se você continuar assim, pode não sobreviver até amanhã, quem dirá até o fim do ano?"
Os cílios de Gregório tremeram.
Depois de um longo tempo, ele finalmente falou: "Então, faremos do seu jeito."
Renata não disse mais nada. Pegou o prontuário e reorganizou seu tratamento, em seguida o levou para a sala de terapia.
Gregório saiu da clínica de Renata.
Renata o seguiu, advertindo mais uma vez: "É melhor ficar longe de pessoas que provocam grandes oscilações emocionais em você. Quanto mais perto, pior para a sua condição, pois a instabilidade pode se agravar."
Gregório franziu o cenho. "Minha instabilidade emocional é um problema meu, não tem a ver com os outros."
Dito isso, ele se virou, entrou no carro e partiu sem mais delongas.
O carro se afastou lentamente.
Ele dirigiu por todo o caminho até a casa onde moravam.
Quando Gregório abriu a porta, Sófia já havia chegado. Ela estava de pé no meio da sala, o olhar percorrendo lentamente o ambiente.
Aquele lugar guardava as memórias de seus anos de casamento. Voltar ali ainda trazia uma sensação familiar.
A foto do casamento na parede continuava impecável, as almofadas no sofá eram do mesmo modelo que ela mais gostava anos atrás, e as plantas na varanda estavam bem cuidadas e cheias de vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...