As sobrancelhas de Gregório se moveram de forma quase imperceptível, e seu tom era impassível: "Não tomou café da manhã?"
Sófia ergueu os olhos para ele, com um sorriso sereno no rosto.
"Estava sem apetite."
Ela disse aquilo de propósito.
Afinal, na noite anterior ela o havia convidado, e ele dissera que não era necessário.
Então, hoje, ela se recusaria a comer de propósito, para ver se ele se importava.
Gregório hesitou.
Em seguida, ele disse:
"Sente-se um pouco antes de ir. Bruno Barros trará o café da manhã em breve."
Sófia arqueou uma sobrancelha e, obedientemente, sentou-se.
Ela queria arriscar, apostar que aquele homem, que sempre escondia suas emoções sob uma fachada de gelo, ainda sentia um pingo de preocupação por ela.
Poucos minutos depois.
Bateram à porta do escritório, e Bruno entrou carregando uma bandeja de café da manhã refinada.
Ele arrumou os itens na mesa de centro e, discretamente, retirou-se, sem ousar demorar um segundo a mais.
O café da manhã continha tudo o que Sófia gostava, claramente um pedido especial de Gregório.
Sófia pegou uma colher de propósito e mexeu seu mingau de aveia, mas não tocou no garfo.
Gregório sentou-se à sua frente.
"Por que não come?"
"Não é nada."
Sófia ergueu o rosto e sorriu para ele. "É que, de repente, senti que comer sozinha não tem graça."
Enquanto falava, ela o encarou deliberadamente.
"Diretor Pacheco, quer comer comigo?"
O olhar de Gregório pousou no rosto dela, seus olhos profundos como um lago calmo, sem revelar nenhuma ondulação.
Ele a observou, em silêncio, por alguns segundos.
Finalmente, pronunciou lentamente uma única palavra: "Sim."
"Eu também estou sem apetite."
Sófia sorriu, mas seus olhos o encaravam diretamente, a frase carregada de subtexto. "Acho que ver os outros sem comer tira a minha própria vontade de comer."
Aquelas palavras foram como uma agulha fina que espetou Gregório de leve.
Como ele não entenderia a queixa implícita em suas palavras?
Recusar seu convite na noite anterior, e agir com frieza naquela manhã. Era o seu protesto silencioso.
Gregório era um homem inteligente e entendeu a mensagem na mesma hora.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, pegou o garfo, espetou um mini pão de queijo recheado, colocou-o em seu prato e, com um tom mais suave, disse: "Então, vamos comer juntos."
Na verdade, Sófia tinha muitas maneiras de fazer Gregório comer com ela.
No passado, ela se concentrava em agradar aquele homem.
Por isso, fazia tudo da melhor maneira possível. Ela não sabia que ele gostava dela, então agia com extrema cautela em tudo.
Mas agora, com essa confirmação gradual, ela sentia que podia ser um pouco mais ousada.
Quando Sófia terminou de comer, ela pousou o garfo e olhou para o prato de Gregório, quase vazio, com um sorriso nos olhos.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...