Depois de dizer tudo aquilo, Geovana pediu que ela pensasse bem e desligou o telefone.
Sófia baixou o olhar, a mão que segurava o celular tremia um pouco.
Geovana conseguia atingir o cerne de sua alma com uma única frase.
E ela realmente se importava com a vida e a morte de Gregório.
Enquanto ele estivesse vivo, ela poderia arrastar aquela situação pelo tempo que quisesse.
Mas as palavras de Geovana a haviam despertado de forma clara e inequívoca.
Sim, talvez em algum momento, ele não aguentasse mais e simplesmente partisse.
Então, qual era a razão que o mantinha vivo agora?
Sófia sabia a resposta em seu coração.
A segurança dela e da filha.
Ele não conseguia ficar tranquilo, por isso não queria partir, por isso suportava a dor.
Sófia lembrou-se vagamente de algo que Gregório lhe dissera uma vez.
Em um acesso de raiva, ela disse a ele: "Eu quero que você morra."
Naquela hora, a expressão do homem mudou de forma quase imperceptível.
Ele respondeu: "Agora ainda não é a hora."
Na época, Sófia achou a resposta estranha, mas não investigou a fundo.
Sófia respirou fundo, sentindo o coração se contrair subitamente.
Ela guardou o celular e viu que ele ainda estava lá embaixo.
Franzindo os lábios, ela recolheu o lixo da sala e desceu, vestindo uma roupa de casa.
Ao descer, evitou o olhar dele de propósito.
Passando por trás dele, aproximou-se ao seu lado.
"Tão tarde, aqui embaixo me procurando. Aconteceu alguma coisa?"
Ao ouvir a voz de Sófia, Gregório estremeceu.
"Estava de passagem."
Sófia olhou para ele e assentiu.
Gregório olhou para ela. "O que faz aqui embaixo a esta hora?"
O homem notou como ela estava vestida com roupas finas. "Não está com frio?"
Sófia balançou a cabeça. "Se você está aqui parado e não sente frio, por que eu sentiria?"
Gregório franziu a testa.
"Entre." A voz do homem era fria, sem emoção aparente.
Sófia abriu a porta, segurando os documentos, e o viu sentado atrás da mesa. Quando ela entrou, o homem nem sequer levantou a cabeça.
"Diretor Pacheco, estes são os documentos da discussão da equipe de pesquisa de hoje, o senhor pode dar uma olhada. Não sei por qual motivo o senhor não participou, mas acho que tem o direito de saber."
Ao ouvir a voz, Gregório apertou a caneta em sua mão.
Ele ergueu os olhos e viu Sófia.
Seu tom era calmo. "Pode deixar aí."
Indiferente, sem emoção, sem alteração.
Sófia não disse nada e, conforme ele pediu, deixou os documentos.
"Então, se o Diretor Pacheco não precisa de mais nada, eu já vou indo."
Gregório, inexpressivo, assentiu.
Sófia se virou, e no momento em que o fez, seu corpo vacilou.
Em seguida, ela apoiou uma mão na mesa e com a outra massageou as têmporas.
O olhar de Gregório se intensificou. "O que foi?"
Sófia massageou as têmporas e franziu os lábios. "Provavelmente é hipoglicemia, por não ter tomado café da manhã."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...