O coração de Geovana apertou, e ela se aproximou rapidamente, sua voz carregando um pânico sutil. "Lucas, o que você está fazendo? Terminou o namoro?"
O Lucas que ela conhecia era sempre gentil e controlado.
Fosse em negociações ou lidando com relações interpessoais complexas, ele sempre se saía bem, nunca demonstrando um estado tão lastimável.
Lucas manteve o olhar baixo, seus longos cílios projetando uma sombra sob as pálpebras. Ele não falou, apenas virou a cabeça ligeiramente, evitando o olhar dela.
"Eu te liguei tantas vezes, e você não atendeu nenhuma!"
Geovana agachou-se, observando seus olhos avermelhados, e o tom de repreensão em sua voz ganhou um toque de preocupação. "Levei um susto de morte, pensei que algo tivesse acontecido com você. Vim correndo da empresa, bati na porta e ninguém atendeu, tive que pedir para o porteiro abrir."
Ela estendeu a mão para ajudá-lo a se levantar, mas Lucas se esquivou suavemente.
Geovana, vendo-o naquele estado, sentiu-se ainda mais inquieta. Ela nunca o vira assim, estava até um pouco assustada.
"O que aconteceu, afinal?" Geovana respirou fundo e agachou-se lentamente à sua frente, suavizando a voz. "Seja o que for, você pode me contar. Nós podemos conversar. Não fique assim, não me assuste."
Lucas permaneceu em silêncio por um longo tempo antes de finalmente levantar os olhos. Estavam injetados, com um ar de confusão e cansaço induzidos pelo álcool.
Ele massageou a testa, a voz rouca. "Desculpe, preocupei você."
O pedido de desculpas ainda carregava sua polidez habitual, mas, para Geovana, soou especialmente doloroso.
Lucas sempre fora uma pessoa educada e comedida. Poucos o viam nesse estado de desolação e decadência; na verdade, ele quase nunca perdia o controle daquela maneira.
Para o mundo, ele era sempre apropriado, gentil e elegante, como um pinheiro sempre ereto.
Mas, naquele momento, esse pinheiro parecia ter sido devastado por uma tempestade, revelando sua fragilidade interior.
Geovana franziu a testa, insistindo: "O que realmente aconteceu? Você nunca bebe fora de eventos sociais. Para estar assim hoje, algo grave aconteceu."
Lucas desviou o olhar para as garrafas vazias, sua voz baixa. "Não foi nada."
"Não foi nada e você bebeu desse jeito?"
Às vezes, o afeto não é apenas doce; pode também trazer pressão, um desconforto pesado.
Especialmente para alguém como Sófia, que havia sofrido um trauma emocional, um excesso de paixão e uma demonstração direta de afeto poderiam, ao contrário, fazê-la recuar.
Lucas não queria impor essa pressão a Sófia.
Ele preferia ficar ao seu lado como amigo, silenciosamente, oferecendo ajuda quando ela precisasse, a colocá-la em uma posição difícil por causa de seus sentimentos.
Geovana ficou em silêncio. Ela entendia o pensamento de Lucas.
Gostar de alguém não significa necessariamente possuir essa pessoa. Às vezes, proteger em silêncio também é uma forma profunda de afeto.
"Ela e o Gregório Pacheco..." Geovana começou, hesitante, querendo dizer algo, mas sem saber como confortá-lo.
Lucas sorriu, um sorriso que continha um certo alívio, mas também uma decepção sutil. "Na verdade, eu pensei que nós tínhamos uma chance."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...