Mas a realidade lhe mostrava, repetidas vezes, que, nascido em tal família, o casamento nunca fora uma questão de liberdade.
A aliança matrimonial era o caminho inevitável, uma responsabilidade da qual ele não podia escapar.
A sala mergulhou em um longo silêncio, quebrado apenas pela respiração pesada da Sra. Dutra, que soava excepcionalmente nítida no espaço silencioso.
O Sr. Dutra baixou o jornal, olhou para Lucas e, com uma voz calma, mas imponente, disse: "Sua mãe tem razão. Você não é mais um garoto. Está na hora de pensar no seu futuro."
"A Família Dutra precisa de uma matriarca, e também de um herdeiro qualificado."
O coração de Lucas pesou. Ele sabia que as palavras de seu pai eram um ultimato.
Ele não refutou mais, nem insistiu. Apenas respirou fundo e disse, com uma calma que beirava a frieza: "Se a mãe deseja que eu me case, então que seja como a senhora deseja."
Dito isso, ele se levantou, sem olhar para as fotos espalhadas pelo chão, nem para a expressão furiosa de sua mãe, e caminhou diretamente para a porta.
"Aonde você vai?" gritou a Sra. Dutra.
"Tenho assuntos na empresa. Já estou de saída."
A voz de Lucas não hesitou, e sua silhueta rapidamente desapareceu pela porta.
Observando suas costas decididas, a Sra. Dutra sentiu o peito arfar de raiva e bateu com força na mesa de centro. "Os filhos crescem e saem do nosso controle, que raiva!"
O Sr. Dutra suspirou suavemente e afagou-lhe o ombro. "Pronto, não fique assim."
"Se ele concordou, não voltará atrás. Vamos primeiro selecionar algumas candidatas adequadas, organizar encontros. Com o tempo, ele encontrará alguém com quem se dê bem."
"O que me irrita é essa atitude dele!" O tom da Sra. Dutra ainda estava carregado de fúria. "O que ele quer dizer com ‘como eu desejo’?"
"Por acaso o casamento é para mim? Não é para o bem dele, para o bem da Família Dutra?"
O Sr. Dutra não disse mais nada, apenas pegou o jornal novamente, mas seu olhar havia se tornado um tanto complexo.
Ele sabia muito bem da mágoa do filho, mas, diante dos interesses da família, os desejos pessoais eram, afinal, insignificantes.
Sentado no carro, Lucas observava a paisagem urbana passar rapidamente pela janela, sentindo um vazio na mente.
Ele sempre pensara que era forte o suficiente para se libertar das amarras da família e seguir a vida que queria.
Só hoje ele descobriu que, no fim das contas, não havia escapatória.
E o casamento, esse ritual que deveria ser repleto de amor e promessas, diante dos interesses familiares, tornava-se gradualmente uma transação fria.
Lucas fechou os olhos e respirou fundo.
Se não podia lutar contra, só lhe restava aceitar.
Ele só não sabia para onde esse casamento forçado o levaria.
-
A noite era densa e escura.
No instante em que Geovana Alves abriu a porta do apartamento de Lucas, um forte cheiro de álcool a atingiu em cheio, fazendo-a franzir o cenho instintivamente.
As cortinas estavam fechadas, e o cômodo era iluminado apenas por um pequeno abajur ao lado da cama, criando uma penumbra quase decadente.
Lucas estava sentado no chão, encostado no sofá, com as pernas esticadas e várias garrafas vazias espalhadas ao seu redor.
O paletó de seu terno estava jogado displicentemente sobre os ombros, e seu cabelo, normalmente impecável, estava bagunçado. Ele transmitia uma aparência de desamparo nunca antes vista.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...