"Até que ela me recusou. Não quis voltar para casa comigo para conhecer meus pais. Mesmo que fosse apenas uma encenação, ela não quis."
Ele fez uma pausa e acrescentou: "Eu não a culpo."
"Ela tem suas preocupações, seus princípios. Eu sei que Gregório sempre teve um lugar no coração dela. Eu sempre fui apenas um espectador."
Geovana, vendo sua tentativa de parecer despreocupado, sentiu o coração doer ainda mais por ele. "Então por que você concordou em ajudá-la a fingir ser o namorado dela? Sabendo que poderia se envolver cada vez mais."
"Porque me fez feliz."
O olhar de Lucas se suavizou, como se lembrasse de algo bom. "Quando ela me pediu para fingir ser seu namorado, eu fiquei genuinamente feliz."
"Pelo menos, eu tinha uma justificativa para ficar ao lado dela, um motivo para protegê-la."
Mesmo que essa justificativa fosse falsa, mesmo que essa companhia estivesse destinada a não ter futuro, ele aceitava de bom grado.
Lucas respirou fundo, e o cheiro de álcool no ar o fez franzir a testa.
De repente, ele sorriu novamente, olhando para Geovana com um tom de autoconforto. "Na verdade, poder ajudá-la dessa forma já deveria me deixar feliz, não decepcionado, certo?"
Ele se esforçou para parecer despreocupado, mas a desolação em seus olhos era impossível de esconder.
Era como um grande monólogo; ele atuou com entrega, mas, no final, não obteve a resposta do público.
Geovana não disse nada, apenas pegou uma garrafa vazia e começou a brincar com ela em suas mãos.
Ela sabia que, naquele momento, qualquer palavra de consolo seria vazia. O que Lucas precisava era apenas de alguém para ouvir seus desabafos.
O quarto mergulhou novamente em silêncio, quebrado apenas pelo som ocasional de um carro passando lá fora.
Sob a luz fraca, as duas figuras sentavam-se lado a lado no chão, uma desolada, a outra preocupada.
Lucas pegou a garrafa meio cheia ao seu lado, com a intenção de beber mais, mas Geovana o impediu.
"Não beba mais." O tom de Geovana era firme. "Beber demais faz mal à saúde e não resolve nada."
"Não há nada de errado em gostar de alguém. O fato de não terem ficado juntos não é um fracasso seu, apenas não era para ser."
Lucas olhou para ela, ficou em silêncio por um momento e, finalmente, pousou a garrafa. "Tudo bem."
Seu sorriso, sua determinação, sua vulnerabilidade, tudo passou diante de seus olhos.
Ele sabia que esse sentimento guardado no fundo do coração acabaria se assentando com o tempo.
Ele poderia sentir arrependimento, desapontamento, mas não se arrependeria do que sentiu.
Pelo menos, ele amara alguém com sinceridade, e se dedicara a ela sem reservas.
Quanto ao futuro, ele superaria aos poucos, aprenderia a aceitar a realidade.
Talvez ele seguisse os arranjos de sua família, se casasse com alguém de status social compatível, tivesse filhos e vivesse uma vida tranquila e estável.
Geovana voltou com um copo de água e o entregou a Lucas. "Beba um pouco, vai ajudar a ficar sóbrio."
Lucas pegou o copo e bebeu um gole. A água morna desceu por sua garganta, clareando um pouco sua mente confusa.
"Pronto, não pense mais nessas coisas ruins."
Geovana sentou-se ao seu lado. "Amanhã o sol vai nascer de novo, e tudo vai ficar bem."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Glória da Ex-Esposa
Ah não! Pq não continuam?????...