Mas aquela rara explicação fora feita apenas para proteger a amante, tornando-se uma faca que se afundava profundamente no peito de Beatriz, corte após corte, deixando o ferimento em carne viva.
Ele não falava de outra coisa a não ser da gravidez de Sophia e do quanto ela precisava de cuidados meticulosos. E quanto a ela?
Ela também estava grávida, mas o seu destino era ser humilhada e expulsa de sua própria mesa. Hoje, Beatriz testemunhou o significado real de extrema proteção e o significado real de ser descartada como lixo.
Ela conteve as lágrimas, usando toda a sua força para não tremer e, com os dentes cerrados, reprimiu o gosto amargo e a sensação de rejeição no coração. A Família Diniz era a mais rica de Porto Real; a humilhação sofrida pela esposa sendo empurrada para fora de seu próprio espaço só servia para arrancar risadas da alta sociedade.
Porém, o futuro herdeiro da Família Diniz estava ao lado da amante.
E ela? Com a família destruída, o pai sem cargo, a mãe doente no hospital, e o irmão desaparecido, de onde ela tiraria forças e meios para peitar Arthur?
Beatriz forçou um sorriso com os olhos preenchidos por frieza.
— O Sr. Diniz é de fato muito generoso e cuida muito bem da namorada. Diante disso, não me resta alternativa a não ser facilitar e ceder o lugar.
Assim que encerrou a fala, ela deu as costas e dirigiu-se ao seu escritório para reunir as suas coisas.
Mas Sophia a chamou.
— Dra. Cavalcante, eu sinto muito por isso! Você não pode faltar ao jantar de hoje. Nós vamos pedir o que você quiser comer, e pedirei para o Arthur lhe fazer vários brindes de agradecimento. Muito obrigada por me ceder o escritório~
Apesar do tom apologético de ter roubado o escritório, nas entrelinhas de sua fala, cada palavra era uma imposição territorial.
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Faltando quinze minutos para o fim do expediente, Arthur apareceu. Havia providenciado e posicionado todos os carros no estacionamento para o embarque de todos.
Sophia transbordou de tanta alegria e satisfação pelo fato de se sentir tão amada e mimada, um riso largo e indisfarçável tomava conta de sua face.
Beatriz não pretendia ir, estar naquele ambiente apenas aumentaria a sua agonia, por isso, pegou sua bolsa pronta para voltar para casa.
— Dra. Cavalcante, pegue uma carona no meu carro e do Arthur. — Sophia ofereceu de modo sorridente com a mão pendurada no ombro dele.
— Tenho algumas pendências em casa. Agradeço o convite, mas não vou.
Sophia mordeu os lábios e desceu os olhos com um semblante entristecido.
— É mesmo... — ela murmurou.
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