Sophia direcionou um olhar repleto de desconfiança defensiva para Beatriz, a ponto de até mesmo sua forma de tratamento mudar repentinamente.
Naquele instante, Beatriz odiou seu próprio hábito instintivo, e, por um momento, ficou sem saber como reagir.
Foi então que Arthur sorriu, segurando a pequena mão de Sophia:
— Nós temos motorista, ela vai no banco da frente e você se senta atrás comigo. Mas é claro que, se eu estivesse dirigindo, o banco do passageiro seria todo seu.
Apesar de ele ter explicado.
Por algum motivo inexplicável, Beatriz sentiu uma profunda sufocação no peito.
Sophia, por sua vez, iluminou-se de alegria e voltou-se para Beatriz:
— Me desculpe, Beatriz, eu entendi tudo errado. Fora do trabalho, posso te chamar de Beatriz?
— Como quiser.
Após dizer isso, Beatriz abriu a porta do passageiro e entrou no carro.
-
Ao chegarem ao Restaurante Mont Noir.
Durante todo o trajeto, Sophia, agarrada ao braço do homem, tagarelou sem parar, enquanto ele apenas a observava com um olhar de pura complacência.
Beatriz os acompanhou logo atrás, observando a cena. Ela mesma nunca tivera a ousadia de agir com tanta liberdade ao lado de Arthur, talvez porque soubesse, no fundo, que ele jamais a trataria com aquela indulgência paciente e infinita.
Arthur havia reservado uma sala inteira. Quase todos os médicos do departamento compareceram, além das enfermeiras do setor; praticamente todos que não estavam de plantão fizeram questão de vir.
Todos não paravam de elogiar como o namorado de Sophia era maravilhoso para ela.
— Dra. Sophia, já que você e o seu namorado se dão tão bem, por que não fazem o brinde de braços entrelaçados? — sugeriu alguém que não conhecia a verdadeira situação.
Sophia hesitou por um segundo, e o seu rosto corou imediatamente:
— E-eu não posso beber...
— Então que seja com água no lugar do vinho! É o primeiro dia da Dra. Sophia, vamos celebrar para dar sorte! Ou será que o Sr. Diniz é tão rígido que não deixa a esposa beber nem em casa?
Segurando um copo d'água, Sophia olhou para Arthur com olhos pidões:
— Arthur...
Se a garota não via problemas naquilo, ele naturalmente faria a vontade dela. Justo quando ele estava prestes a erguer seu copo d'água, alguém brincou:
— Ei, se vão fazer o brinde de braços entrelaçados, um dos dois tem que beber vinho de verdade, não acham? Senão, que graça tem?
Arthur sorriu levemente e encheu uma taça com vinho.
— Ela está grávida, então eu bebo no lugar dela. Muito obrigado a todos por cuidarem tão bem da Sophia.
Em meio aos assobios e aplausos dos colegas, Beatriz assistiu, impotente, enquanto os dois cruzavam os braços e bebiam o brinde. O rosto da jovem estava completamente vermelho, e, sob as luzes, ela parecia ainda mais deslumbrante e sedutora.
Arthur nunca tinha o hábito de beber, pois um único copo era o suficiente para derrubá-lo. Antigamente, era sempre Beatriz quem bebia por ele, chegando até a vomitar sangue, sem que ele nunca se oferecesse para tomar um copo em seu lugar.
Agora, no entanto, ele bebia voluntariamente por Sophia.
A cena parecia a de uma festa de noivado, vibrante e barulhenta, onde os dois eram os protagonistas de um final feliz.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível