Parecia a voz de Arthur Diniz.
Assim que Beatriz foi empurrada para a sala de cirurgia, Arthur passou casualmente pelo corredor.
Ele franziu as sobrancelhas ao avistar Henrique e Heloísa Diniz.
— Pai, mãe, o que vocês estão fazendo aqui?
O rosto de Heloísa se alterou levemente ao ver o filho, mas ela rapidamente recompôs a expressão normal: — Você não tinha viajado? O que faz aqui?
— O meu celular já estava desligado e eu estava quase embarcando, mas surgiu uma emergência de última hora que eu precisei resolver.
— Mas ainda não me disseram: por que vocês estão aqui? — Arthur os encarou.
— Viemos visitar um amigo, parceiro de negócios, que fará uma cirurgia.
Heloísa forçou um sorriso, usando qualquer desculpa esfarrapada.
Os olhos negros e indecifráveis de Arthur a analisaram profundamente, antes de voltarem para o pai.
Henrique mantinha o rosto fechado.
— Em vez de ir trabalhar e fechar negócios no exterior, o que você está fazendo num hospital particular?
— Sr. Diniz...
Nesse momento, uma voz feminina e suave surgiu logo atrás.
Sophia Lemos se aproximou de Arthur com a cabeça baixa: — Já terminou.
Arthur a mirou de soslaio: — Suma daqui.
— Eu... — Ela o fitou com os olhos suplicantes. — Eu ainda tenho algumas coisas que quero te falar, posso?
A expressão de Henrique era feroz: — Você ainda não cortou os laços com essa amante na rua.
Sophia apertou os lábios: — Vocês entenderam mal, não há absolutamente nada entre o Sr. Diniz e eu.
— Certo, se vocês dois têm coisas a resolver, vão logo. Não fiquem parados aí. — Heloísa interveio depressa, tentando despachá-los.
Se Arthur descobrisse que Beatriz estava do lado de dentro, ele não hesitaria em arrombar aquela porta de imediato.
Arthur começou a se afastar e Sophia o seguiu com passos miúdos.
Observando as costas do filho, Heloísa sentiu uma pontada de culpa. Ela olhou para Henrique e disse: — De qualquer maneira, isso é algo apenas entre marido e mulher. Nós agirmos assim não foi um pouco extremo?
— Mães complacentes criam filhos fracassados. É por causa dessa sua moleza que ele se tornou um filho tão inconsequente.


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