A consciência de Beatriz estava embaçada.
Ela forçava o corpo a não desmaiar.
Se apagasse, quando acordasse não saberia se os seus bebês ainda estariam ali.
A sua única chance de salvar os filhos seria fugir no momento em que descessem do carro.
Heloísa lançou um olhar irritado para Henrique e não pôde deixar de retrucar: — Você não pode falar um pouco menos? Era só para ser um Exame de DNA, não há necessidade de causar uma tragédia fatal.
Henrique zombou com frieza, desviando o olhar indiferente para a janela do carro.
— Se você conseguisse controlar o seu filho, não haveria tantas confusões, e eu não precisaria intervir.
— Eu já disse, com aquele temperamento dele, cedo ou tarde vai causar um desastre.
— Não trabalha direito, passa o dia inteiro com a cabeça nas mulheres. Se a atenção dele estivesse nos negócios, o mercado internacional já teria sido conquistado há muito tempo. Em vez disso, o quintal dele pega fogo e a família vive no caos. — prosseguiu Henrique.
— Bernardo Silveira tem a mesma idade que ele e já é um sucesso absoluto no exterior. E ele só começou a se aventurar no mercado externo no ano passado.
A voz de Henrique era gelada e repleta de sarcasmo pelo próprio filho.
Ele nunca o havia considerado digno.
Por isso, hesitava em passar o verdadeiro poder para as mãos de Arthur.
O coração de Heloísa esfriou e o seu semblante fechou-se: — Por que você insiste em compará-lo com os outros? A família do Bernardo tem gerações de experiência internacional! Você não teve competência para expandir os nossos negócios e agora quer jogar a culpa no nosso filho?
— Heloísa! — O rosto de Henrique escureceu e a sua voz desceu alguns tons. — Não estou com paciência para discutir com você. Agora não é hora de debater isso. E os negócios da Família Diniz não dizem respeito a você, apenas trate de cuidar dos problemas da casa.
— Os negócios são muito mais complexos do que você imagina. Você não consegue resolver nem as pequenas intrigas domésticas, que direito acha que tem de se meter nos negócios?
Heloísa baixou o olhar com apatia. O peito queimava de frustração, mas não rebateu.
Conhecia o marido bem demais.
Discutir não levaria a lugar algum.
Entre a semiconsciência, Beatriz escutava a conversa dos dois. Casada há cinco anos na Família Diniz, ela sabia que o casamento dos sogros era frio, mas nunca imaginou que havia chegado àquele nível.
A interação entre eles não possuía nenhum afeto; era um puro acordo comercial, moldado exclusivamente por interesses.

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