— Então quer dizer que te devo um favor? — As sobrancelhas de Beatriz se ergueram suavemente, um sorriso terno brincando no fundo de seus olhos.
— Não deve, não. Ainda está dentro das minhas funções. A Dra. Isadora é uma excelente profissional e merece uma oportunidade de crescer.
— Mas e você? Por que não tomou café da manhã de novo? Você sabe que a sua saúde...
— Beatriz, vim buscar a certidão de alta para pagar a conta. — Antes que pudesse concluir a frase, a voz de Sophia cortou a porta. — Oh, o Dr. Ventura também está aqui? Vocês são tão fofos. A comida parece maravilhosa. Onde compraram?
— O chef em casa preparou. — Daniel deu um sorriso brando e olhou para Arthur, que havia acompanhado a jovem. — Não pode ser encontrada à venda em qualquer lugar.
— Ah, entendi... — Sophia virou a cabeça e encarou Arthur. — Mas eu ainda acho que o que o Arthur cozinha é o mais gostoso de todos.
Os olhos de Arthur estavam cheios de ternura quando a fitaram.
— Se você gosta, farei todos os dias para você.
Beatriz de repente sentiu que o sabor da comida sumira. Uma refeição tão boa arruinada pela súbita chegada daquelas duas figuras deprimentes.
Ela colocou a bandeja de lado e começou a imprimir a certidão de alta para Sophia.
Arthur franziu a testa.
Os pulsos finos de Beatriz manejavam o computador e a impressora com destreza.
Mas a magreza do corpo dela era inegável.
Dona Ema havia retornado há dias e, ainda assim, não parecia ter surtido efeito para que ela ganhasse algum peso.
Sua mãe adorava mimar Beatriz como a menina dos seus olhos, e quando a via assim, não deixava de reclamar e ralhar com ele, culpando-o por não ser dedicado o suficiente.
Mas ele havia designado alguém para preparar três refeições diárias para ela. E Beatriz?
Sempre desdenhando tudo o que dizia respeito à casa, e quando aquele Daniel Ventura lhe entregava comida, ela o aceitava com os olhos cheios de sorrisos! Teria ela medo de que ninguém soubesse o quão próximos estavam?
Ao repassar os documentos de alta a Sophia, Beatriz deparou-se com o olhar de Arthur, gélido como um porão de gelo.
Ele devia estar irritado, com certeza, por ela ter comido a refeição de Daniel Ventura antes do divórcio.
Mas o que tem isso? Era apenas uma refeição séria, ela não havia feito nada de inapropriado.
— O Dr. Ventura parece levar a sério os interesses da equipe. — Arthur disse. — Como acionista do hospital, peço que você dedique mais atenção aos negócios oficiais.
Daniel sorriu.
— Claro, Sr. Diniz. Mas agora é hora do almoço.


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