Dona Ema voltava das compras. Ao abrir a porta e ver Beatriz agachada limpando a bagunça, ela logo disse:
— Senhora, deixe isso comigo, eu limpo.
A mão de Beatriz pausou brevemente. Ao ver Dona Ema, ofereceu um pequeno sorriso.
O seu coração parecia envolto em um vazio.
Já devia ter compreendido o que Arthur pensava sobre ela há muito tempo. O que ainda estava esperando?
Dona Ema lançou um olhar para o café da manhã intocado na mesa.
— Vi o senhor saindo agora a pouco. Por que não tomou o seu café? Ele me mandou especificamente não fazer nada porque queria preparar o café de hoje sozinho.
Beatriz se levantou e deu um sorriso apagado.
— Ele cozinhou para outra pessoa. Eu não quis.
— Dona Ema, cuide da bagunça, por favor. Eu como a caminho do trabalho. Se não sair agora, vou me atrasar.
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Hoje era o dia da alta de Sophia.
Arthur passou o tempo todo com ela no hospital, subindo e descendo para lidar com os papéis.
Quando ele retornou ao quarto, trazia um buquê de rosas vermelhas. Beatriz já estava lá, repassando algumas recomendações à paciente.
A vivacidade das rosas vermelhas contrastava intensamente com a pureza que Sophia exalava. E ao receber as flores, seu sorriso parecia ainda mais belo que as próprias rosas.
— Arthur, como você sabia que eu adoro rosas vermelhas?
O seu rosto irradiava surpresa.
Arthur sorriu afetuosamente.
— Você é minha namorada. Não é difícil descobrir as coisas que você gosta.
Sendo mimada, o sorriso de Sophia tornou-se ainda mais acanhado.
Beatriz apertou os lábios.
Uma vez ela trouxera rosas vermelhas para enfeitar a casa, e Arthur as chamara de cafona.
— Dra. Cavalcante, ouvi dizer que você não tomou café da manhã e teve uma crise de hipoglicemia pela manhã. O Dr. Ventura te enviou algumas coisas. Ele deixou sobre a sua mesa. — Isadora Ribeiro entrou e convidou Beatriz para comer.
Naquela manhã, Beatriz havia terminado uma cirurgia e seguido para o ambulatório, sem tempo para o café da manhã. Quando desceu, ela estava prestes a desmaiar.


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