Sophia não reparou na expressão de Beatriz, colocando de imediato o café da manhã sobre a mesa:
— Você precisa comer!-
Ditas essas palavras, ignorando se Beatriz queria ou não, ela virou as costas e foi embora.
Com as sobrancelhas unidas, Beatriz encarou o alimento disposto à sua frente, a sua respiração perdendo o ritmo.
Era um banquete generoso para o café da manhã: caldo de frutos do mar, ovos e panquecas. Estava evidente que o homem havia preparado tudo com extrema dedicação.
Contudo, aos seus olhos, aquilo só evocava um sarcasmo cortante. Casada com Arthur por cinco anos, não fazia a menor ideia de que ele sabia cozinhar.
Ficou fitando a comida durante muito tempo, até que os olhos começaram a arder e repuxar.
Beatriz respirou fundo, esboçou um sorriso irônico e, num único movimento, atirou tudo na lixeira.
Naquele instante, a colega que começava o turno mais cedo entrou.
— Dra. Beatriz, me disseram que a garota que você atendeu ontem tem costas quentes. — Isadora Ribeiro, a médica residente, lançou um olhar significativo a Beatriz. — Estudante do quarto ano da faculdade de medicina. A princípio, tentou entrar no nosso hospital, mas não conseguiu passar na seleção e foi reprovada pelo diretor.
— Mas ela tem quem a apoie. O namorado dela é nada menos que Arthur Diniz, não sabia? Aposto que foi só choramingar um pouquinho para ele, e conseguiu entrar.
Beatriz deu uma risada de desprezo no íntimo. A influência de Arthur era algo que ela já conhecia bem. Vendo a idolatria cega que ele nutria por Sophia, um simples capricho da jovem bastaria para ele de fato providenciar a sua contratação.
Levantou os cantos dos lábios:
— Alguém sem capacidade, mesmo usando de influências para entrar, não dura muito no cargo.
— Para ela foi muito conveniente. Fisgou um milionário, logo cortou décadas de sofrimento pelo caminho. — Isadora deu de ombros. — Porém, você tem razão. Mesmo que tenha entrado, vai precisar de muita sorte; se não for competente, vai para o olho da rua.
As avaliações do Hospital Santa Marina eram bastante rigorosas.
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— E a Dona Ema?
— Foi demitida. — Ele respondeu com uma postura altiva, sem transmitir emoção na voz: — Você não adorava cozinhar e cuidar das tarefas do lar? Estou satisfazendo a sua vontade.
Adorava? O que ouviu lhe pareceu risível.
Então os afazeres da casa nos quais se desdobrava sozinha, a tentativa desesperada de agradar, resumiam-se na concepção dele como sendo atividades que ela adorava fazer.
Beatriz baixou os olhos e evitou encará-lo. Uma indisposição nauseante a inundou como água do mar por todos os lados, quase a afogando.
— Não me sinto bem. — Ela mordeu o lábio pálido e ergueu-se de pé, trêmula: — Resolva o seu jantar sozinho.
Após a fala, virou as costas e tentou caminhar para o andar de cima. Estava sem ânimo de se envolver com Arthur; só queria tomar um banho e descansar.
Contudo, no momento em que ela se virou, o homem agarrou seu pulso estreito —

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