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A Esposa Invisível romance Capítulo 3

Beatriz fechou as mãos e desviou o olhar:

— Sinto muito, mas peço que se retire. São as normas do hospital.-

— Normas? — A voz do homem tornou-se fria e grave. Os outros não entenderam o motivo, mas ela captou a leve advertência disfarçada no tom: — A Sophia está grávida e se machucou. Não ficarei tranquilo se não estiver ao seu lado.

Como Beatriz não entenderia o que Arthur insinuava?

Ele desconfiava das suas intenções, temendo que, por ciúmes, ela machucasse Sophia e o bebê em seu ventre. Com isso, ele ofendia de forma implacável a sua ética profissional como médica.

— Arthur, eu estou bem, não cause problemas para a doutora... — Sophia agarrou a barra da camisa de Arthur, em uma postura frágil e indefesa. No íntimo, porém, não conseguia disfarçar a doçura de se sentir amparada. Como não ficar feliz ao ver o homem que amava cuidando tanto dela?

A expressão do homem se abrandou de imediato:

— Eu só estou preocupado com você e com o bebê.

Tratando-se do bebê, a questão era de suma importância. Arthur não prolongou a discussão. Deu tapinhas afetuosos na mão de Sophia, consolando-a com uma voz suave:

— Vou sair agora e volto para vê-la daqui a pouco.

Beatriz baixou os olhos, ocultando o turbilhão de sentimentos que neles transpareciam, evitando assistir à tamanha intimidade.

Os exames foram concluídos com rapidez. O bebê no ventre de Sophia estava seguro, não houve sinais de sangramento. Ela poderia ir para casa repousar, voltando apenas para consultas de rotina para proteger a gestação.

Ao escutar o laudo, Arthur discordou. O rosto severo, dirigiu-se a Beatriz com um tom de ordem imperativa:

— Não se brinca com isso. Providencie a internação dela.

Sophia não conseguiu disfarçar a timidez meiga:

— A doutora disse que está tudo bem e que posso descansar em casa. Não acha que é um certo exagero?

O homem franziu a testa, revelando extrema atenção e cuidado para com Sophia:

— Quando se trata da segurança de vocês dois, nada é exagero. Posso fazer as suas vontades para qualquer outra coisa, mas nisso, você vai ser obediente e me escutar, certo?

Beatriz não o expôs; não tinha sequer a habilidade ou as forças para confrontá-lo. Pelo visto, ele protegia com maestria a ingenuidade pueril de sua namoradinha.

Uma dor aguda atravessou seu peito. Não tinha a menor vontade de presenciar aquele afeto. Quanto mais observava, mais o casamento daqueles últimos anos lhe parecia uma ilusão vã, e mais ela se enxergava como uma palhaça, uma grande piada.

Os seus anos de dedicação total não podiam competir com uma Sophia que ele conhecia havia poucos meses.

Beatriz soltou um suspiro contido e acenou para uma enfermeira:

Beatriz não voltou para casa na noite anterior; dormira no hospital.

Por volta das seis e pouco da manhã, não muito depois de Beatriz acordar, ouviram-se batidas na porta do lado de fora.

Ao abrir a porta, deu de cara com Sophia a observando sorridente:

— Não te acordei, não é? Vim agradecer especialmente a você. Fez hora extra no meio da madrugada para me atender, então trouxe um pouco de café da manhã como prova de gratidão.

O rosto delicado e puro da garota transbordava um frescor juvenil, uma inocência da qual Beatriz carecia.

E era exatamente essa inocência cativante capaz de deixar qualquer homem enfeitiçado. Não era à toa que Arthur gostava tanto dela.

Beatriz não tinha o hábito de aceitar refeições ofertadas por pacientes.

Antes que pudesse expressar sua recusa, a garota continuou sem parar de falar:

— Nem pense em recusar! Foi o meu namorado quem preparou com as próprias mãos logo cedo. Seria um desperdício se não comesse.

Ao ouvir a palavra "namorado", todo o corpo de Beatriz estagnou de espanto.

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