Beatriz balançou a cabeça.
Não queria que o irmão se preocupasse com ela.
— Deixe que eu mesma resolvo isso.
— E como pretende resolver? — Thiago franziu as sobrancelhas, observando-a com uma ponta de ansiedade no olhar.
— Se você pudesse resolver sozinha, não teria desperdiçado cinco anos de juventude em um casamento como aquele — continuou ele, com a voz firme e grave.
Seu olhar transbordava compaixão:
— Você era o maior tesouro dos Cavalcante. Que tipo de vida teve depois que se casou? Como espera que eu fique tranquilo?
Ouvir aquelas palavras do irmão fez os olhos de Beatriz arderem; sentiu um aperto doloroso no coração.
Ela abaixou a cabeça por um momento, mas logo voltou a erguê-la, abrindo um leve sorriso.
— Eu não sou mais aquela garotinha de antes.
O que significava, nas entrelinhas, que era capaz de lidar com os próprios problemas.
Thiago respeitou a vontade dela. Após refletir, cedeu:
— Se encontrar alguma dificuldade, fale comigo. Eu te dou apoio.
Um sorriso luminoso espalhou-se pelo rosto de Beatriz.
— Está bem.
-
No dia seguinte.
O Simpósio de Inovação Médica e Financeira prosseguia a todo vapor. No enorme palco no centro do Cruzeiro Imperial Gold, o mestre de cerimônias anunciava os grandes magnatas presentes.
Beatriz usava mais uma vez um vestido elegante, acompanhado de um xale felpudo sobre os ombros.
Sua silhueta esbelta exibia uma aura inalcançável e majestosa.
O dia estava nublado e frio. Do lado de fora do navio, o céu estava carregado, o mar de um azul-escuro profundo e as ondas agitadas, como se estivessem prestes a devorar tudo ao redor.
Beatriz estava sentada na plateia. Ao ouvir o nome de Bernardo Silveira, ergueu imediatamente os olhos, demonstrando grande interesse.
Thiago notou o brilho no olhar dela.
— Quer conhecê-lo?
— Se eu for entrar nos negócios do setor médico no futuro, será inevitável lidar com ele. Conhecê-lo agora é, claro, vantajoso.

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