O olhar intenso dele parecia reprimir ferozmente algo em seu íntimo.
— A escolha mais correta que já fiz foi me divorciar de você. Do que mais me arrependo é de não ter pedido o divórcio antes, esperando até você trazer a sua amante para dentro de casa para só então decidir me separar — retrucou Beatriz, mordendo o lábio inferior, sua voz soando fria e determinada.
— Como você tem a coragem de dizer algo assim? — Arthur riu com desdém, o olhar carregado de zombaria.
Os olhos de Beatriz perderam o brilho.
Ela não conseguia entender o que ele queria dizer com aquilo, mas também não queria perguntar.
— Já é tarde. Por favor, volte e descanse, Sr. Diniz. Sua namorada o está esperando.
Arthur não se moveu.
Ele até tinha a intenção de ir embora.
Mas, de repente, perdeu completamente a vontade de sair.
Beatriz apenas assistiu enquanto ele, com movimentos lentos e deliberados, desabotoava o paletó e retirava a peça.
— Vou dormir aqui esta noite.
Cerrando os dentes, Beatriz pensou em pegar o celular para ligar para o irmão.
— Faça como quiser. Vou ao banheiro — disse ela, levantando-se.
Ao passar por ele, teve o pulso agarrado violentamente pelo homem. O aperto era tão forte que causava uma dor aguda.
— O que está fazendo?
A mão que segurava o celular ficou vazia. Arthur o havia arrancado de seus dedos.
— Pode ir ao banheiro, mas o celular fica.
— Se você quiser que Thiago Cavalcante saiba que dormimos juntos depois do divórcio e que você o traiu, fique à vontade para chamá-lo aqui.
O coração de Beatriz deu um salto. Ela o encarou com incredulidade. Nunca imaginara que Arthur pudesse agir como um verdadeiro canalha.
— Por que está me olhando? — Arthur questionou. — Quer que eu a carregue até o banheiro?
— Perdi a vontade — respondeu Beatriz, sentando-se de volta na cama.
Naquela noite, ela não tinha a intenção de se lavar ou trocar de roupa.

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