Beatriz observava o vinho desperdiçado, sem compreender por que ele sentia a necessidade de interferir nos seus assuntos.
Queria conhecer Bernardo Silveira para resolver a questão dos equipamentos para a sua clínica, mas Arthur insistia em estragar seus planos.
Ela respirou fundo, pegou uma taça da mesa e se serviu com mais vinho.
— É um prazer conhecê-lo formalmente, Sr. Silveira. Um brinde a você.
Bernardo olhou de Beatriz para Arthur:
— O Sr. Diniz não vai ficar chateado, não é? Estou apenas conhecendo a sua ex-esposa.
— Arthur, procurei você por toda parte!
Antes que Arthur pudesse responder...
Sophia Lemos apareceu de repente, enlaçando o braço de Arthur com um tom manhoso:
— O ar aqui dentro está um pouco abafado. Me acompanha até lá fora para tomar um ar, por favor? O vento está forte, parece que vai chover. Estou com medo.
Exibindo a barriga avantajada, Sophia não dava margem a qualquer rejeição. Ninguém acharia que Arthur pudesse negar-lhe o pedido.
Arthur voltou a atenção para a noiva. O distanciamento gelado de antes desapareceu de seus olhos, e sua voz assumiu um tom bem mais suave:
— Vou pedir para o Jonas Mendes te acompanhar. Tenho alguns assuntos a tratar aqui.
Sophia fez beicinho:
— Mas o nosso bebê com certeza quer a companhia do pai...
— Além do mais, a companhia do Jonas não chega nem aos pés da sua.
Beatriz virou o rosto para o lado, recusando-se a testemunhar aquela troca íntima de afeto.
O que mais lhe doía, no entanto, era a barriga arredondada de Sophia.
Se o seu próprio bebê tivesse sobrevivido... agora teria quase o mesmo tamanho.
Ver os olhos de Arthur inteiramente devotados a Sophia e ao bebê gerava nela uma angústia irônica e dilacerante.
Ela e seu filho haviam sido rejeitados.
— Bia, você está aqui! — Thiago aproximou-se sorridente, vestido em um terno elegante, e segurou a mão da irmã instintivamente.
Bernardo observou os dois:
— Sr. Valente, a Srta. Cavalcante é a sua namorada? Fazem um belo casal.
Como quem desfruta de um bom espetáculo, ele encarou propositalmente Sophia antes de perguntar a Arthur:
— E ela é a sua esposa?
Arthur manteve o semblante impassível e respondeu:

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