Beatriz deu-lhe um tapa estalado no rosto.
O rosto do homem virou para o lado com o impacto. Ele pressionou levemente o interior da bochecha com a língua, sem demonstrar qualquer sinal de irritação.
— Quantos tapas você já me deu?
Ele perguntou calmamente, mas o olhar carregava uma frieza cortante:
— Só você tem a audácia de me bater assim.
Beatriz estava pálida. Tentando conter o próprio tremor, sua respiração falhava levemente.
— Arthur, não faça isso.
Seus cílios tremiam suavemente. Aos olhos do homem, ela parecia frágil e digna de pena.
— O que eu estou fazendo? — Arthur falou, fixando o olhar escuro no rosto dela. — Por acaso não te dei uma escolha?
— Se você não permite que eu a toque, então não pense que deixarei outro homem tocá-la.
O fato de ele tê-la seguido até o quarto não passava de ressentimento por não suportar vê-la tão íntima de seu irmão.
— O que você quer de verdade?
— Voltar a casar — Arthur respondeu com um tom indiferente. — Volte comigo. Você será a Sra. Diniz. Terá o título e tudo mais.
— Tudo o que você quiser, eu lhe darei.
Beatriz o encarou atônita. Se tivesse ouvido essas palavras há cinco anos, certamente se consideraria uma mulher muito feliz.
Mas, ouvindo-as agora, sentia apenas uma profunda ironia.
— O que exatamente você sente por mim? — Beatriz perguntou entredentes, olhando-o fixamente. — É apenas possessividade, ou...
— Ou você me odeia tanto que não hesita em sacrificar o próprio casamento só para me manter presa ao seu lado? Nós poderíamos ter seguido nossas vidas sem interferir na do outro.
Ela não conseguia decifrá-lo. Talvez nem o próprio Arthur compreendesse os sentimentos que nutria.
— Talvez você só queira uma esposa obediente e dócil, mas eu me recuso a ser um canário preso em uma gaiola.
Lágrimas cintilavam nos olhos de Beatriz.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: A Esposa Invisível