As emoções indomáveis de seu coração transbordavam e se alastravam. A angústia sufocante que envolvia o seu corpo quase a impedia de respirar. Ela era incapaz de aceitar que tudo terminasse daquela forma...
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Três dias depois.
Beatriz permanecia em seu quarto.
A equipe do hospital apareceu, direcionando a ela um olhar denso e solene.
Como ela ainda estava numa condição bastante instável, a equipe médica, compadecida, mas ciente de seus deveres, respirou fundo e perguntou:
— Sra. Cavalcante, quando ocorrerão os trâmites do funeral do seu pai? O corpo não pode permanecer aqui por muito tempo.
Os olhos letárgicos de Beatriz moveram-se sutilmente. Ela abriu a boca para falar, mas, após um longo período em silêncio, sua voz saiu rouca e desagradável:
— Eu entendo.
Ela não queria que o corpo do pai continuasse largado naquele necrotério gelado.
O seu pai talvez tivesse morrido injustamente. Talvez tivesse sido levado à prisão por um crime que não cometeu. Independentemente disso, ela não conseguira interceder. Ela falhou na tentativa de inocentá-lo e falhou na tentativa de clamar justiça pela sua morte. Em todo caso, e no que dizia respeito à lei, de acordo com o atestado de óbito, seu pai havia sofrido um infarto como fruto de um acontecimento fatídico.
Naquele mesmo dia, Beatriz assinou sua liberação do hospital.
Ela desceu até o necrotério e observou o corpo inerte de seu pai. O seu coração sofreu de uma dor profunda, tal como a sensação excruciante de formigas mastigando-o.
Ela tomou fôlego, o canto de seus lábios expressava um sorriso amargo, mais agoniante do que as suas próprias lágrimas:
— Pai, a sua filha veio te buscar para casa...
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A cremação do seu pai estava marcada para o dia seguinte.
Ela estava trajada com roupas escuras e usava uma flor branca acima de seus seios, imersa em toda a solenidade do Crematório Vale da Paz.
O rosto de Beatriz estava extremamente descorado, quando os funcionários começaram a encaminhar o corpo de seu pai para a cremação e informaram:
— É possível ver todo o processo no saguão, mas a senhora poderá entrar conosco e assistir lá dentro, se for da sua vontade.

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