Beatriz encontrou o corpo do seu pai no necrotério.
Ficou o encarando, incapaz de acreditar, com a respiração pesada e instável.
Com as mãos trêmulas, removeu o lençol branco.
Viu o pai deitado em silêncio. Seu rosto estava escurecido e os lábios roxos, um sinal evidente de sufocamento por falta de oxigênio e falência por infarto.
A sua dor transbordou, e o seu mundo ruiu completamente. Abraçando o seu pai, ela caiu num pranto doloroso.
— Pai... — A voz de Beatriz estava embargada, e o choro sufocava as palavras: — Eu cheguei tarde demais. Eu sou uma inútil...
Ele deve ter sofrido muito e suportado tantos golpes. O fim do tormento estava tão próximo... por que ele não pôde aguentar só mais um pouco...
Beatriz encarava o corpo gelado do seu pai, soluçando quase até perder o fôlego.
Fosse quem fosse o responsável, ela faria com que pagasse.
No final, chorou até perder as forças, mas se recusou a ir embora.
Foi Felipe Valente quem precisou chegar e levá-la de volta ao quarto.
Os seguranças na porta do quarto tomaram um susto ao ver Beatriz voltando de outro lugar.
Eles não faziam a menor ideia de quando ela havia fugido.
Beatriz sentou-se na cama de hospital, com o rostinho pálido e definhado, desprovida de vida. Marcas de lágrimas cobriam o seu rosto, dando-lhe uma aparência deplorável e digna de pena.
Felipe a observava, sentindo-se tocado. O seu pomo de adão moveu-se suavemente antes de falar com a voz rouca:
— Eu entendo o quanto você está sofrendo com a perda de seu pai... Mas você acabou de escapar de um incêndio. Deveria cuidar do próprio corpo.
Beatriz baixou o olhar, com a expressão morta e a voz baixa, sem emoção:
— Sr. Valente, eu quero ficar sozinha.
Felipe franziu o cenho, pouco tranquilo em deixá-la no estado em que se encontrava:
— Não faça nenhuma loucura.
— Eu ainda tenho a minha mãe. Pode ficar tranquilo. — Beatriz deu um sorriso amargo.

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