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A Esposa Invisível romance Capítulo 186

Beatriz encontrou o corpo do seu pai no necrotério.

Ficou o encarando, incapaz de acreditar, com a respiração pesada e instável.

Com as mãos trêmulas, removeu o lençol branco.

Viu o pai deitado em silêncio. Seu rosto estava escurecido e os lábios roxos, um sinal evidente de sufocamento por falta de oxigênio e falência por infarto.

A sua dor transbordou, e o seu mundo ruiu completamente. Abraçando o seu pai, ela caiu num pranto doloroso.

— Pai... — A voz de Beatriz estava embargada, e o choro sufocava as palavras: — Eu cheguei tarde demais. Eu sou uma inútil...

Ele deve ter sofrido muito e suportado tantos golpes. O fim do tormento estava tão próximo... por que ele não pôde aguentar só mais um pouco...

Beatriz encarava o corpo gelado do seu pai, soluçando quase até perder o fôlego.

Fosse quem fosse o responsável, ela faria com que pagasse.

No final, chorou até perder as forças, mas se recusou a ir embora.

Foi Felipe Valente quem precisou chegar e levá-la de volta ao quarto.

Os seguranças na porta do quarto tomaram um susto ao ver Beatriz voltando de outro lugar.

Eles não faziam a menor ideia de quando ela havia fugido.

Beatriz sentou-se na cama de hospital, com o rostinho pálido e definhado, desprovida de vida. Marcas de lágrimas cobriam o seu rosto, dando-lhe uma aparência deplorável e digna de pena.

Felipe a observava, sentindo-se tocado. O seu pomo de adão moveu-se suavemente antes de falar com a voz rouca:

— Eu entendo o quanto você está sofrendo com a perda de seu pai... Mas você acabou de escapar de um incêndio. Deveria cuidar do próprio corpo.

Beatriz baixou o olhar, com a expressão morta e a voz baixa, sem emoção:

— Sr. Valente, eu quero ficar sozinha.

Felipe franziu o cenho, pouco tranquilo em deixá-la no estado em que se encontrava:

— Não faça nenhuma loucura.

— Eu ainda tenho a minha mãe. Pode ficar tranquilo. — Beatriz deu um sorriso amargo.

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