— Tudo bem, Beatriz. — Ao ver a sua teimosia, a raiva de Arthur transformou-se numa risada amarga, mas o seu olhar permanecia aterradoramente assustador. — Você vai ficar neste quarto se redimindo pelo meu filho. Ninguém vai te ver!
Ele a empurrou bruscamente, virando-se para sair.
Beatriz entrou em pânico, saiu imediatamente da cama e agarrou o pulso do homem:
— Não...
Arthur sempre cumpria o que dizia. Se ele quisesse prendê-la naquele quarto, seria como uma prisão domiciliar. Ela jamais conseguiria dar um passo para fora da porta.
— Você não pode me prender aqui, eu preciso sair. — O tom de Beatriz suavizou de repente. — Me devolve o celular, me deixa sair para ver a minha mãe e o meu pai.
— Ou então me diga, o meu pai está bem?
Arthur baixou o olhar, respirou fundo e disfarçou qualquer tipo de emoção:
— Agora você sabe como implorar por misericórdia?
Beatriz estava prestes a abrir a boca.
Mas Arthur a empurrou sem dó nem piedade:
— É tarde demais!
Dito isso, Arthur afastou-se a passos largos. Ordenou que colocassem guardas na porta do quarto. Ninguém poderia entrar, e ela não poderia sair sob nenhuma circunstância.
Beatriz rangia os dentes de raiva e seu coração transbordava de ansiedade.
Quanto mais Arthur bloqueava as informações, mais o sentimento de desconforto crescia dentro dela. Havia algo de muito errado!
Depois que Arthur partiu, não voltou mais.
Ela não ficaria ali sentada esperando o pior acontecer.
Com dois homens vigiando do lado de fora, a porta era uma opção impossível.
Beatriz olhou para a janela e amarrou lençóis formando uma corda.
Desceu pela janela até o andar de baixo. O quarto inferior estava vazio. Ela entrou pela janela e escapou por sorte.
Imediatamente, abordou um transeunte, pegou o celular emprestado e fez uma ligação.
Ligou para a delegacia.
Atenderam em pouco tempo.
— Olá, eu sou Beatriz Cavalcante. O meu pai, Otávio Cavalcante, foi levado ao hospital ontem. Eu estava ocupada no exterior e só consegui voltar agora. Por favor, como está o meu pai?
— Senhora Beatriz...
O policial falou com um tom pesado, o que despertou em Beatriz um mau pressentimento.
Mas ele ficou em silêncio.
Beatriz franziu a testa e perguntou com ansiedade:
— O que aconteceu com o meu pai?
A mente de Beatriz estava num caos, e o mau pressentimento crescia cada vez mais, fazendo com que suas mãos apertassem as roupas involuntariamente.

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